//Séries//no mundo

“(Mercedes Sosa) é a voz dos poetas do país escondido!”

Gabriel Plaza analisa a música de seu país e traça um panorama da música atual da América Latina

texto Redação

O jornalista Gabriel Plaza durante entrevista ao Álbum. Fotos: reprodução

O jornalista e crítico musical portenho Gabriel Plaza fala sobre como começou na carreira, como chegou em 1996 ao periódico La Nación (em que atua até hoje), sua relação com a música folclórica argentina e comenta ainda seu alter ego DJ Inca e a quantas anda o mercado de música no país.

ÁLBUM – Conte um pouco de sua trajetória, citando os jornais e as revistas com os quais colabora e colaborou.
Gabriel Plaza –
Os meus primeiros trabalhos profissionais estiveram, desde o início, ligados à cultura. Depois, comecei naturalmente a me especializar em música, já que sempre fui fã de discos e, desde adolescente, queria estar informado sobre tudo o que estava acontecendo nas artes musicais. Quando, em 1992, saí do Taller Escuela Agencia de Periodismo (TEA) [Oficina Escola Agência de Jornalismo], fundada por jornalistas do jornal Página 12, comecei a colaborar em suplementos jovens sobre rock, como o Diario Popular. Ali tive minhas primeiras experiências, entrevistei novos grupos e bandas consagradas do contexto local, o que me deu a oportunidade de chegar à editora Magendra como redator da emblemática revista de rock nacional (Pelo). A cobertura de shows me vinculou a outros colegas da minha geração, formando-se rapidamente uma confraria de jornalistas que cresceu paralelamente à expansão de fenômenos locais do rock. Essas foram as bases da minha atuação no jornalismo musical, que me permitiu passar por outras mídias, como Página 12, Diario El Mercurio, do Chile, e a revista Terra, de Barcelona, além de uma infinidade de colaborações em mídias gráficas independentes e de shows e de uma experiência de dois anos na Radio Nacional, na qual entrevistei os músicos locais e oferecia shows acústicos. Como crítico de música popular do La Nación, em 1996, entrei em contato com a cena emergente do tango, do folclore e outras músicas de raiz, e com a interessante evolução que se reflete em mais de uma década de desenvolvimento da cena. Desse ponto de vista, interessei-me em criar um espaço para fazer crônicas sobre o que estava acontecendo na nova geração musical e, de alguma forma, fui testemunha da original e criativa geração do panorama da música argentina até hoje.

Você nasceu em qual província argentina? Vem de sua infância esse interesse e a pesquisa que você realiza a respeito da música folclórica de seu país?
Nasci em Buenos Aires, no bairro Balvanera, no centro da capital federal. Entretanto, meus familiares maternos e paternos são de Salta, uma província do norte da Argentina. Minhas viagens para veranear na casa dos meus avós maternos no meio do campo me transmitiram uma experiência rural que marcou toda a minha vida, influenciando inclusive a minha atividade profissional. Eles eram agricultores e pastores, em sua casa não havia luz nem as comodidades da grande cidade, mas descobri nesse ambiente minha verdadeira identidade e uma vida mais natural e orgânica. As memórias dessa época, os cheiros e as músicas que se escutavam nessa região ficaram fortemente impregnados em mim. Minha grande experiência com o folclore esteve ligada a essa experiência rural com os meus avós. Uma noite, em meio a um dos carnavais de campo, iluminados somente por lampiões, meus avós me levaram a uma roda de cantores de coplas. Ali descobri pela primeira vez a copla. Eu devia ter uns 8 anos. Os camponeses, chegando de diversas paragens, soltavam as suas coplas sobre a sua vida cotidiana nos vales, cantando sem se preocupar com a afinação. Era um canto primitivo, saído da alma, selvagem e agreste que me comoveu e me permitiu entender a raiz desse canto, a essência do gene folclórico. Quando me pediram no jornal La Nación para cobrir a música popular, essas lembranças da infância emergiram novamente e me despertaram muita curiosidade. Eu quis conhecer e me aprofundar conscientemente nessa raiz. Eu me transformei, sem querer, em um tipo de antropólogo urbano e rural, buscando a essência da música argentina e suas conexões com outras músicas do continente e do mundo, mas a partir de uma experiência vivencial e não abordada como ciência exata. Amanhecendo com os cantores nessas longas reuniões para tocar violões no campo, cantando bagualas em eternas rodas, hipnotizando pela batida da caixa, acompanhando o desenvolvimento dos compositores e conhecendo os seus contextos de criação e suas paisagens. As minhas crônicas têm a ver com essa viagem de iniciação na origem musical, escutando, com somente 8 anos, o cantor dessa copla abismal no meio da noite estrelada com os montes de Salta como caixas reverberantes de um som ancestral.

O pianista, poeta e compositor Gustavo Cuchi Leguizamón (1917-2000), criador do Dúo Salteño. Foto: reprodução / La Nácion

O que mais te marcou na música folclórica argentina entre tudo o que você conhece? Indique sites, links e discos para ouvir.
O meu primeiro contato real e vivencial foi com esse canto anônimo e ancestral que é a baguala, um tesouro escondido nos vales e riachos do norte argentino, em um território que abrange desde as províncias de Salta e Jujuy e que tem os seus heterônimos, como a vidala tucumana, santiagueña e riojada, nas outras regiões que compõem o NOA (Nordeste Argentino). Em termos de folclore, há muitas expressões que me marcaram, mas poderia assinalar o grande Gustavo Cuchi Leguizamón, um artista universal e com uma identidade tão forte que era capaz de fundir a sua paixão por Schöenberg com o conhecimento popular dos zambas. Sua obra é clássica e de vanguarda e sua atuação como arranjador do Dúo Salteño é um trabalho insuperável de harmonização vocal e instrumental. É difícil escolher uma obra discográfica, já que o que distingue a música argentina é a sua grande diversidade de estilos e danças por região. Do Yupanqui, escolheria o seu disco ao vivo em Mar del Plata (Acua Records). A reedição dos discos de Los Chalchaleros, com o bandoneón de Dino Saluzzi pela RCA, é a expressão do boom do folclore nos anos 1960 e o formato de quarteto que dura até hoje. Mas há um punhado de discos que eu gosto muito e que, para mim, marcaram um antes e um depois.

>> Nadie Más que Nadie (1985), da MPA, banda dos anos 1980 que marcou um tom revolucionário no gênero.
>>  Transmisión Huaucke, de Santiagueños, por Jacinto Piedra e Peteco Carabajal.
>> De Ushuaia a la Quiaca, de León Gieco e Gustavo Santaolalla, um bom mapeamento (embora parcial, é decisivo) das glórias do gênero e suas expressões gravadas ao vivo em seu próprio ambiente.
>> Así nos Gusta, do pianista Eduardo Lagos. Coletivo com grandes artistas do folclore urbano, como Astor Piazzolla, Manolo Juarez, Hugo Diaz e Oscar Aleman, entre outros.
>> Doña Maria, disco da nova geração do folclore que funde sons tradicionais e contemporâneos.
>> Domador de Huellas, de Guillermo Klein, um tributo à música de Gustavo Cuchi Leguizamón.
>> Aca Seca, power trio de folclore, que reinterpreta clássicos da música popular com um groove telúrico e o improviso do jazz.

E muitos, muitos outros discos. Agora, alguns links:

>> La Monga, para encontrar discos de música argentina fora de catálogo.
>> Coletivo Zizek, que faz experimentações com música eletrônica, folclore e mashups. Entre os seus artistas, DJs produtores de mais destaque, estão Chancha Via Circuito, Lagartijeando, King Coya e a banda Tremor.
>> Club del Disco é um canal especializado em seleção e promoção de novos conteúdos musicais. Funciona como ponte entre os artistas talentosos e o público interessado em propostas genuínas da América Latina.
Folklorear é uma plataforma on-line de informação, uma rede social que promove a reunião e circulação de artistas, músicos, managers, promotores, selos discográficos, jornalistas, divulgadores, pesquisadores, fãs e amantes do folclore latino-americano. O projeto foi selecionado pelo British Council como um dos quatro melhores empreendimentos musicais da América Latina.

Mercedes Sosa foi uma artista que te marcou. Qual é o significado de ”La Pachamama de la Canción” para a Argentina e para a música latino-americana?
O seu surgimento foi fundamental para impulsionar a renovação constante do repertório e o cancioneiro popular argentino. Quando falamos cotidianamente dela entre os músicos, sempre dizemos que gravou praticamente tudo e que os seus discos são o grande resumo da história musical e poética da Argentina. Foi a grande inovadora e reunidora de gêneros. Seu disco póstumo, Cantora, é um reflexo desse cruzamento natural com outros artistas. Imperdível é a milonga “Hay um niño en la calle”, tema emblema do poeta Armando Tejada Gomez, integrante, ao lado de Mercedes, do Movimento do Novo Cancioneiro (manifesto de 1969), com René, do Calle 13. Por meio de seus shows e discos, sempre buscou a união de tribos musicais e aproximou as pessoas de outras gerações. Foi símbolo de liberdade no tempo da obscura ditadura militar na Argentina e modelo estético de honestidade musical para toda a região, já que as suas canções viajaram pelo mundo inteiro. Sua voz é a voz de um continente ameríndio e suas raízes mais profundas. A voz dos poetas do país escondido. É necessário escutar dela discos como Mercedes Canta a Yupanqui, De Mi ou Al Despertar. Agora também é possível usufruir do seu catálogo, já que todos os seus discos foram reeditados pela Universal.

Ao mesmo tempo que você tem essa ligação com a música folclórica, tem um trabalho como DJ Inca e já se apresentou em inúmeros países, além de ser DJ residente do Festival de Tango y Campeonato Mundial de Baile de Buenos Aires. O que pensa, faz e deseja o DJ Inca?
DJ Inca é o meu alter ego nas pistas e nos festivais de tango. Mas essa atividade também se expandiu para outras cenas com sets de músicas do mundo, de identidade e gêneros pouco difundidos, mas que podem ser dançados e se conectam com a parte folclórica, festiva e psicodélica. Pode-se dizer que DJ Inca é a desculpa perfeita para desenvolver um vínculo mais artístico e performático. Gosto do DJ como animador e, nessa direção criativa, busco uma personalidade, juntamente a pessoas de outras áreas, como dançarinos e VJs. Trabalho sobre um formato vintage, em que recupero gravações das orquestras dos anos 1940 que agradam principalmente nas milongas mais tradicionais, e um set mais eletrônico, em que seleciono um remix dos novos agrupamentos de eletrotango que pode ser apresentado em festivais de outros gêneros. Como DJ Inca, fui criador das festas Electrotango Party, para difundir a cena eletrônica de tango com grupos como Otros Aires, Narcotango e Tangueto, gerando dentro do Festival de Tango festas com cruzamentos de áreas e demonstrando que o tango eletrônico pode ser dançado como nas raves, ao estilo tradicional. Umas duas mil pessoas dançando como no tango de salão nos acompanharam naquelas noites festivas em Harrods. Essa faceta como musicalizador de festivais na Argentina e no exterior, como o Parco Della Musica, em Roma, o Teatro Chaillot, em Paris, e, recentemente, em Perpignan (França), resultou também na minha tarefa como curador e designer criativo de festivais como o Fifba, Festival Internacional de Folclore da província de Buenos Aires, e a participação em projetos de integração, como a edição Rumos Itaú Cultural 2010, em que participaram Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina.

Como está o tango argentino?
O tango está em um momento de eclosão criativa. Já faz mais de uma década que o gênero iluminou uma nova geração de intérpretes e criadores. E hoje começamos a ver os frutos de uma geração que busca a sua própria voz e personalidade na rica história do gênero. Passou-se da época do revisionismo, necessário para que a geração aprendesse o estilo, para uma etapa de criação e composições novas, que supera os padrões do tango. Muitos dos agrupamentos que se destacam nessa geração são Orquestra Fernandez Fierro, El Arranque, Astillero, solistas como Ariel Ardit, Chino Laborde e Dipi Kvitko, El Cardenal Dominguez, os novos tangos de La Chicana e o Tape Rubín com o seu quarteto Almagro e o mestre do lundardo Juan Vattuone. Entre os sons carcerários do tango destacam-se 30 Puñaladas e seu obscuro som do disco Bombay Buenos Aires, enquanto nas novas sonoridades aparece Altertango, que leva temas do rock ao tango. Uma das grandes vozes femininas da atualidade é Lidia Borda e o seu disco dedicado ao Tata Cedrón, uma ponte geracional com um artista que criou um discurso próprio e maldito, admirado pelos fãs da cultura under. Atualmente, há muitos artistas do rock que se converteram ao tango; o caso de maior destaque foi o de Daniel Melingo, um tipo de Tom Waits crioulo que removeu a solenidade do gênero e incentivou os autores de tangos a contarem suas próprias histórias. A hiperatividade do movimento independente do tango pode ser visualizada nos festivais desse gênero, que crescem anualmente na mesma medida em que o festival de tango da cidade. Mas talvez o que seja mais digno de mérito neste momento e que os próprios protagonistas mais destacam é que este é o momento de deixar a sua própria marca no tango. A voz de uma nova geração. Para conhecer o tango atual, recomendo o site  Fractura Expuesta, uma nova geração de difusores descontraídos que têm um programa de rádio e um portal com toda a agenda urbana. Acessem esse guia para conhecer o tango autêntico e atual. Há muitos filmes que podem servir como guia, mas os dois que acertam na lata na escolha dos protagonistas, nas histórias que contam e na música são Tango un Giro Extraño (2005), de Mercedes Garcia Guevara, um panorama dos novos grupos em seus ambientes naturais do off tanguero, distante do tango for export; e Si Sos Brujo (2005), de Caroline Neil, sobre a história da Orquestra Escola de Tango, o processo de revisão do tango e a relação entre os mestres do gênero e a nova geração.

Qual é a situação do “mercado” da música argentina?
O mercado da música argentina vive, por um lado, um sustentado monopólio na predominância dos grandes festivais de música. Duas das mais importantes produtoras se fundiram, aumentando esse monopólio, e a enxurrada de visitas internacionais é um duro golpe para o desenvolvimento da indústria local, já que a economia vive um processo inflacionário preocupante. Ao mesmo tempo, vive-se um processo interessante na busca de novos nichos e de expansão criativa na música argentina. A cena musical independente mantém o seu crescimento, embora as quedas das vendas do disco físico ainda sejam uma preocupação. Abrem-se novos espaços para produtoras que procuram novos produtos, montam-se ciclos de intercâmbio com artistas de outros países da região, como a programação do Niceto Club ou La Trastienda, e aparecem festivais que buscam o intercâmbio entre outras regiões, como o Festival de Outono ou o Fifba em La Plata. Por outro lado, as províncias estão se transformando em um circuito interessante para os grupos com público médio e se está incentivando a profissionalização da indústria musical. Um exemplo é a realização, pela primeira vez, do Mica (Mercado das Indústrias Culturais Argentinas), desenvolvido em junho, que reunirá produtores internacionais, diretores de festivais e oferecerá showcases para mostrar os produtos musicais da Argentina em seus diversos formatos.

Qual é a relação entre a música popular argentina e a imprensa? Há segmentos da música que são mais abordados que outros?
A maior parte da difusão está dirigida ao rock, que ganhou um lugar importante na mídia e na indústria em razão da sua atratividade para os patrocinadores. A cena independente, a mais atrativa e original, mantém um processo artesanal e isso gera, ao mesmo tempo, atração em determinados profissionais da mídia, principalmente da gráfica, que ouvem essas propostas e as difundem. Não acontece o mesmo com o rádio, no qual a difusão dessa cena é mais esporádica. O folclore continua sendo forte no interior do país e seus festivais estimulam uma constante atividade para os artistas do gênero em sua faceta mainstream. O tango é uma cena under e criativa que se localiza principalmente em pequenos comércios de bairro ou auditórios de média escala, e que em raras ocasiões chega aos grandes teatros. O jazz transita na mesma situação. Somente os especialistas resgatam essas propostas e as colocam em primeiro plano, principalmente nos jornais, em que ainda se mantém a especialização nas mãos de jornalistas de diversas gerações.

Capa de uma das edições da revista Expreso Imaginario, de 1980. Foto: reprodução

Como vê o papel da crítica musical na Argentina? Poderia citar jornalistas/críticos musicais argentinos que fizeram história?
A crítica musical tem as suas complicações; há grandes jornalistas musicais, mas talvez a especialização da crítica não tenha o nível de profundidade e espaço necessários para analisar a produção local. Entretanto, é um dos espaços de difusão fundamentais para revelar o que é produzido e refletir sobre a música argentina. Nesse sentido, as mídias gráficas continuam sendo uma plataforma de orientação e recomendação, muito mais nos tempos de saturação de informação pela internet. Poderia mencionar nomes reconhecidos, como Alfredo Rosso, no âmbito do rock local; Pipo Lernoud, um pioneiro do rock nacional e fundador da mítica revista Expreso Imaginario; Sergio Pujol, um grande pesquisador dos processos sociais e culturais da música argentina (seus livros são totens sagrados); Carlos Inzillo, no âmbito do jazz; Diego Fischerman, atualmente em Página 12; Pablo Gianera, no âmbito da música contemporânea, no Suplemento ADN; Irene Amuchastegui, outra grande pesquisadora do tango e da música popular, de sua história e evolução; Humprey Inzillo, da nova geração, é, por abertura de gêneros, um olhar fresco e agudo da atualidade que escreve na Rolling Stone; Pablo Schanton, no Clarín; e German Arrascaeta, no jornal La Voz do Interior, em Córdoba.

O que chama sua atenção na produção da música dos países sul-americanos hoje?
A região está em um momento muito interessante porque começa a haver um conhecimento mais integral dos fenômenos locais, e, ao mesmo tempo, iniciou-se um processo de diálogo cultural, em nível musical e regional entre os países, tanto do ponto de vista da produção quanto da criação de coletivos musicais, que passa a gerar projetos irmãos entre distintos países do continente. Talvez parte disso seja a abertura dos países para receber músicas do continente com maior assiduidade. Por outro lado, há um público aberto, sem preconceitos e consumidor desses fenômenos regionais, como se vê atualmente com a música colombiana, e o despertar musical de toda uma região que funde folclores locais com sons universais e ritmos urbanos. O que acontece na Colômbia é um bom termômetro de como as músicas com identidade podem despertar um interesse tanto local como mundial, com bandas como Choqutibown, Bomba Stereo e Systema Solar. O Uruguai, por sua vez, sempre me parece um país interessante, porque seu diminuto tamanho não é proporcional à quantidade de artistas originais que surgem em sua cena. Criadores como Martín Buscaglia e Fernando Cabrera são uma boa síntese da capacidade para conjugar imaginários locais, sons pop, identidade planetária e um traço sempre inovador. A cena roqueira montevideana também cresce e se expande a partir da projeção da Vela Puerca, Cuarteto de Nos e No te Va a Gustar. O Paraguai é um território muito interessante sonoramente e a ser descoberto a partir de artistas como Charlie Nutela e El Secreto. A Bolívia tem um impulso renovador no movimento hip-hop de cultura aymara no bairro Alto de La Paz. E o Chile está em um momento de desenvolvimento de uma linguagem intimista e original, como a de Gepe, ou uma pulsação mais latina, a partir de bandas como Juana Fe, que pegam o som da cumbia das ruas para medi-lo com alucinógenas cuecas. O Brasil, logicamente, é uma vertente musical que sempre estamos observando com atenção deste lado do Sul. E a Argentina, apesar das condições externas, vive um momento de criatividade notável, gerando diferentes correntes musicais e abandonando cenas que vão do pop ao folclore, ao tango e ao jazz, em um cruzamento de linguagens que estão formando uma identidade atual e contemporânea e que revertem com originalidade a história da canção popular argentina. Somos testemunhas de um novo tempo na música da América Latina, em que a mestiçagem natural de suas culturas e influências rítmicas começará a impregnar a cultura do mundo, se já não o estiver fazendo, em uma viagem de ida e volta.

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