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“Sinto minha história parecida com a do Cem Anos de Solidão”

Clássico do colombiano Gabriel Gárcia Márquez é uma das sugestões de Jerry Espíndola

texto Redação
Jerry Espindola

Jerry Espíndola, entre SP e o Pantanal. Foto: Divulgação

Cantor, compositor e produtor cultural sul-matogrossense, Marcos Jerônimo Miranda Espíndola, o Jerry Espíndola, é o irmão caçula dos músicos Tetê, Geraldo, Celito e Alzira. Está em São Paulo desde o início dos anos 1980, quando assume o microfone da banda Incontroláveis.

É o criador da polca-rock, estética musical que absorve influências da vanguarda paulista, do pop, do rock e de “ritmos ternários populares entre os povos da bacia do rio da Prata”, ou seja, do Pantanal, da Argentina e do Paraguai.

Sua discografia inclui títulos individuais (Pop Pantanal, 2000; e Vértice, 2006), com a banda Croa (Polca-Rock, 2002; e Atlantida Pantanal, 2008), com o parceiro Marcello Pettengill (O Que Virou, 2003), e com os irmãos (Espíndola Canta, 2003).

Diretor executivo da Associação de Músicos do Pantanal (AMP), Jerry Espíndola pontua duas obras e um lugar fundamentais em sua vida.

[ DISCO ] Refazenda – Gilberto Gil
Alguns discos marcaram minha vida. A primeira vez que ouvi um disco de mpb foi o Refazenda, do Gilberto Gil. Lembro que estava brincando no quintal, em Campo Grande, e ouvi um som que vinha do quarto da Alzira, minha irmã. Gostei e cheguei na janela pra perguntar “Que som é esse?”. Esse álbum foi a porta de entrada pra que eu começasse a conhecer a fundo a mpb. Depois desse disco não parei mais de ouvir os grandes compositores brasileiros.

[ LIVRO ] Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez
Esse livro continua sendo o mais incrível que li. Aliás, já li três vezes e, provavelmente, vou lê-lo de novo. Não sei se pela história de uma família grande e recheada de emoção ou se tem a ver com a minha própria família que é muito antiga e viveu na Espanha; ou ainda se pelas histórias loucas que também vivi em casa. O que sei é que sinto minha história familiar parecida com a desse livro, que me foi apresentado por minha mãe, quando eu tinha por volta de 14 anos.

[ LUGAR ] São Paulo
A cidade de São Paulo foi uma escola de vida pra mim que ajudou, e muito, a formar o ser humano que sou hoje em todos os sentidos. Fui criado em Campo Grande, mas aos 18 anos, em 1983, mudei-me pra capital paulista com o intuito de encarar um desafio: ser alguém na vida. Não tenho dúvidas que tudo que aprendi devo a esta cidade maluca que nos ensina que somos sempre mais um no mundo, e que, em hipótese alguma, esse mundo não gira em torno da gente. Conheci pessoas de todas as classes sociais e com elas aprendi que cada ser humano tem um encanto único. Entendi o valor da humildade e da sinceridade.

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