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Poesia que vai da Itália ao samba

O pianista André Mehmari recomenda o que ler, ouvir, ver e visitar

texto Victória Pimentel

Créditos das fotos: Veneza: Éder Fortunato (CC)/ André Mehmari por Anita Kalikies. Demais imagens: divulgação

André Mehmari é multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor. Fluminense de Niterói, criado em Ribeirão Preto, São Paulo, o músico entrou em contato com o piano – seu principal instrumento – quando ainda era criança por influência da mãe. Desde então, Mehmari vem construindo uma carreira de sucesso, com oito CDs solo e recheada de parcerias com nomes importante da música – tudo isso sem limitar-se ao campo erudito ou ao campo popular da música.

Junto do também multi-instrumentista Antonio Loureiro, o pianista se apresenta no Itaú Cultural no dia 1º de setembro, no show de pré-lançamento do álbum André Mehmari & Antonio Loureiro, que mistura jazz e MPB. Antes da apresentação, porém, Mehmari aproveita para dar algumas dicas culturais: disco, filme, livro e lugar para visitar. Confira!

[LIVRO] O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati
É um romance fascinante e muito misterioso. Tem um humor sutil e uma fina ironia que nunca se esgota. Li direto em italiano e foi uma das experiências literárias mais ricas que já tive. Para mim, o filme homônimo não capta, nem de longe, toda a gama de afetos que o livro carrega.

[DISCO] Caymmi e Seu Violão, de Dorival Caymmi
Disco de cabeceira, de uma perfeição nada forçada. É uma obra de gênio registrada em um único golpe, sem firulas. Cada canção é um presente dos deuses. O violão com cordas de aço – afinado preguiçosamente um pouco abaixo do diapasão –, a voz negra do Buda nagô nos contando histórias do além mar… Não vivo sem esse disco.

[FILME] Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho
Um filme de um lirismo lento e doloroso, um adágio para o coração baseado na obra-prima de Raduan Nassar. A fotografia é um espetáculo à parte.

[LUGAR] Veneza, na Itália
Tive algumas oportunidades de visitar a cidade mais mágica do mundo, em minha opinião. Passei meu aniversário de 36 anos vagando pelos canais da cidade, com o propósito de levar flores ao túmulo de Claudio Monteverdi, compositor italiano do século XVII que atuou em Veneza por décadas como mestre de capela em San Marco. Não foi tão fácil – demorei a conseguir as pistas para tal –, mas encontrei. Emoção que nunca vou esquecer.

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