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Muito além dos gêneros musicais

Para o compositor e instrumentista Antonio Loureiro, a música não deve "parar no pedágio da generalização"

texto Redação

O músico Antonio Loureiro - Foto: divulgação

Multi-instrumentista e compositor, Antonio Loureiro vive na ponte aérea Belo Horizonte-São Paulo. Na capital paulista, tem dividido projetos com artistas como Benjamim Taubkin, André Mehmari, Kiko Dinucci, Criolo, Ná Ozzetti, Ivan Vilela, Daniel Santiago, Paulo Tatit e Guilherme Ribeiro. Além de seu trabalho autoral, em que assume o piano e as vozes, toca vibrafone e teclado com Siba, tem um duo de vibrafone e violino com Ricardo Herz, faz parte do quinteto Mujangué, que nasceu do Rumos Música Coletivo – Itaú Cultural, e toca bateria com Joana Queiroz, Kristoff Silva, Alexandre Andrés e Rafael Martini, de Belo Horizonte. Recentemente, como baterista, acompanhou Gilberto Gil no evento de aniversário de 25 anos do Itaú Cultural.

Essa variedade de experiências motivou sua colaboração para o Álbum: “Estilos, tendências e assim por diante… Não ouvimos mais música sem lembrar dessas palavras. Sempre pensei no quanto isso trava as coisas e ofusca uma percepção maior do que é o sentimento que o músico tem que passar”, escreveu. “Os mecanismos do mercado, da indústria do entretenimento, da crítica ‘especializada’ e da mídia colaboram com isso. Penso também em como faço para trabalhar livremente sem precisar parar nesse pedágio da generalização”.

Para Loureiro, uma música remete à outra, a um filme, a uma paisagem, a um lugar, momento ou sentimento. Mas, transformada em “gênero musical”, ela se perde na subgaveta da categoria em que foi automaticamente inserida. Para fugir dessas classificações, ele indica três compositores que passeiam com liberdade pelos espaços delimitados pelos macrogêneros “canção” e “instrumental”.

[ MÚSICO ] Mario Laginha
“Superpianista português que teve seu trabalho mais reconhecido junto à cantora Maria João, também de Portugal. É um compositor de mão-cheia, um tremendo orquestrador e também um “pianista erudito”, passando por inúmeros tipos de palco e trabalho musical em sua carreira”.

 [ MÚSICO ] Guillermo Klein
“Uma vez, na Argentina, a cantora Liliana Herrero me apresentou esse cara como um gênio da música de lá. E, quando ele subiu ao palco para dar uma canja, tocou uma composição de sua autoria, muito estranha! Parecia um exercício rítmico atonal minimalista. Achei esquisito mesmo, mas original. Não me encantou e esqueci, aquilo passou. Quase um ano depois, voltei para lá e várias pessoas com as quais toquei me falaram dele.  Foi quando fui apresentado novamente para esse som, que me influencia muito hoje. Mais especificamente por meio da música ‘Va Roman’”.

[ MÚSICO ] Rafael Martini
“Compositor de Belo Horizonte, além de ser um grande parceiro e amigo. Desde que o conheço, vejo-o compor canção e música instrumental. Logo que se graduou em composição, pela UFMG, acumulou um disco de canções autorais com uma banda, prêmios de música instrumental popular e concertos escritos para grupo de percussão em espaços arquitetônicos (arquitetofonia). Seu primeiro disco, homônimo, será lançado em breve.”

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