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“Foi assim que conheci Carmen Miranda e Cartola”

Coleção de LPs foi fundamental para a cantora Izabel Padovani

Cantora Izabel Padovani (foto: Carlos Kipnis) e a capa de um título da coleção lançada pela Abril Cultural nos anos 1970

Intérprete paulista nascida em Campinas, Izabel Padovani cresceu ouvindo cantores da era de ouro do rádio, bossa nova e música brasileira contemporânea. Por dez anos, viveu e cantou na Áustria, de onde retornou em 2005, quando venceu a 8ª edição do Prêmio Visa de Música Brasileira. Com trio formado com o pianista e arranjador Marcelo Onofri e o baixista Ronaldo Saggiorato, foi uma das selecionadas do Rumos 2007-2009. Tem cinco discos lançados: Mar & Bel (1995), Hein? (2000), Tons (2005), Desassossego (2006) e Mosaico (2008).

[ DISCO ] Coleção Nova História da Música Popular Brasileira – Vários artistas
A coisa mais importante na minha formação, não somente como cantora, mas como pessoa, não está relacionada com um disco específico, mas sim com uma coleção da Abril Cultural que, na época, se comprava nas bancas de jornais e que meu irmão mais velho colecionava. Eram discos de tamanho menor (n.e. LP de 10 polegadas) que o habitual “Long Play” (12 polegadas) e vinham com um encarte que contava um pouco da história do artista. Foi assim que conheci Carmen Miranda, Orlando Silva, Nelson Cavaquinho, Cartola e muitos outros. Ou seja, foi dessa maneira que comecei a gostar e me aproximar do universo da música popular brasileira. O contato com essa música na adolescência influenciou o meu gosto, a minha estética e o meu fazer musical até hoje.

[ SITE ] Maria João
A Maria João é uma cantora portuguesa que, depois da Carmen Miranda, da Elis Regina e do João Gilberto, foi quem mais me influenciou musicalmente.

[ LUGAR ] Viena, Áustria
Viena foi um lugar muito importante para mim, um divisor de águas que me proporcionou crescer em muitos sentidos. O contato com outra cultura me fez pensar sobre quem eu era, qual a minha identidade; ter um reconhecimento profundo e desnudo da pessoa que sou aconteceu nos meus muitos anos por lá. Tive também uma vivência musical forte. A oportunidade de tocar e conviver com músicos muito bons foi uma grande escola, além da experiência de tocar em teatros e casas de jazz para plateias atentas. Esse público em silêncio me fez pensar sobre a arte, o que me levou a um desenvolvimento como artista. A dica aqui não é exatamente visitar Viena (também seria uma boa), mas tocar muito, com bons músicos, para aprender, entender e encarar essa coragem que é importante quando o assunto é arte e quando se quer viver feliz.

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