//seções//faixa bônus

Com os pés no samba – e na cabeça

Para entender o gênero eternizado por Geraldo Filme e Batatinha

texto André Seiti
Batatinha

O sambista baiano Batatinha (1924-1997)

Com a consultoria Caio Camargo e Marcel Fracassi, André Seiti lista sugestões de títulos para quem quer ampliar seu batuque.

[ DISCOS ]

Toalha da Saudade, de Batatinha (Continental, 1976)
Segundo disco de um dos sambistas de maior destaque no cenário nacional: Oscar da Penha, mais conhecido como Batatinha. Com canções ora melancólicas ora mais melancólicas ainda, Toalha da Saudade tem pérolas como “Rosa Tristeza”, “A Sorte do Benedito”, “Ironia” e a faixa-título, que fala de uma desilusão de Carnaval simbolizada por uma toalha.

Na Linha do Samba, de Ione Papas (Dabliú Discos, 2007)
Sete anos após o aclamado disco de estreia, Noel por Ione, a cantora baiana volta com regravações de compositores renomados como Batatinha, Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves. O álbum conta com a participação de Fabiana Cozza e Quinteto em Branco e Preto, entre outros.

História do Brasil Através dos Sambas de Enredo: O Negro no Brasil, vários artistas (Som Livre, 1976)
Lançado em plena ditadura militar, o disco reúne sambas-enredo que contam a trajetória – e o protesto – do negro ao logo da história brasileira. As composições abordam temas como escravidão, candomblé e luta pela liberdade.

[ LITERATURA ]

A Construção do Samba, de Jorge Caldeira (Mameluco, 2007)
Fruto de dissertação de mestrado, o livro traça um panorama do surgimento do samba: da sua origem humilde à complexa inovação musical que influenciou diversos outros gêneros. A publicação traz ainda uma biografia de Noel Rosa.

[ CINEMA ] 

Saravah, de Pierre Barouh (1972 – relançamento Biscoito Fino, 2006)
Um olhar estrangeiro sobre a música popular brasileira, com foco no samba. O diretor francês registra ensaios e apresentações informais de Baden Powell, Pixinguinha, João da Baiana, Maria Bethânia e Paulinho da Viola.

Geraldo Filme, de Carlos Cortez (Birô Criação,1998)
O documentário retrata o samba e a cultura negra paulista com base na obra do compositor Geraldo Filme. Além de importante músico, com mais de 70 canções de sua autoria, participou de movimentos de estímulo ao Carnaval paulistano. Era adorado por toda a comunidade do samba, mas bastava sair desse meio para tornar-se desconhecido.

Um Dia de Samba, de Pedro Dantas (TV PUC/SP e Sussuarana Artinformação, 2003)
O documentário acompanha por um dia, no centro de São Paulo, o projeto Samba Autêntico, que busca resgatar a tradição do Carnaval de rua. O filme conta com depoimentos de anônimos e famosos, como Benedito do Pagode, Murilo “Pérola Negra”, Seu Nenê da Vila Matilde e Nelson Sargento.

# Publicado originalmente na Revista Continuum, edição janeiro/2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. “Éramos chamados de quadrados”

    Izaías do Bandolim fala do período em que o choro ficou esquecido em meio à invasão de ritmos estrangeiros

  2. Tesouro perdido

    Primeiro registro fonográfico de Cartola, a faixa “Quem Me Vê Sorrindo”, integra a coletânea Native Brazilian Music, nunca lançada no país

  3. Londres tropical

    Como os brasileiros do Tetine conquistaram a cidade onde nasceu o punk

  4. “Tecnobrega é o pai de tudo. E a aparelhagem é a rave paraense”

    Um dos destaques da Revista Continuum, Gaby Amarantos fala da música de seu estado

  5. Ademilde Fonseca morre aos 91 anos

    Cantora era considerada a rainha do choro cantado

  6. “Ficar preso à história oficial é uma coisa perigosa”

    Livro de Amaral Júnior traz pesquisa inédita sobre a história do choro em São Paulo

  7. Pixinguinha de roupa nova

    Novo álbum de Hamilton de Holanda reúne visões estrangeiras da obra do chorão carioca

  8. “Nós fomos a resistência do choro”

    A trajetória de uma das figuras centrais do choro paulistano: Izaías do Bandolim

  9. Reedição de livro reúne críticas de Lúcio Rangel

    Sambistas e Chorões traz textos do crítico de música brasileira que ajudou a colocar no mapa nomes hoje reverenciados da música popular

      1. Bocato: “Tenho um jeito meio esquisito de tocar!”

        Trombonista relembra o início da carreira, quando tocou com Elis Regina e Arrigo Barnabé, e comenta o álbum Hidrogênio