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As indicações de Renata Rosa

A cantora, compositora e rabequeira dá dicas do que ler, ouvir, assistir e visitar

fotos Michele Souza

A cantora, compositora e rabequeira Renata Rosa lançou em 2016 seu terceiro trabalho, Encantações. O disco tem influência de diversos ritmos populares brasileiros característicos do Nordeste, como o coco, a ciranda e o cavalo-marinho, além de cantos indígenas e referências ibéricas e árabes.

Aproveitando seu show no Itaú Cultural – Encantações será apresentado no dia 23 de fevereiro, às 20h –, Renata compartilhou algumas dicas de livro, discos, filme e lugar. Confira:

[LIVRO] Mulheres, de Eduardo Galeano
Galeano tem sido uma das minhas maiores influências desde que li As Veias Abertas da América Latina, ainda na adolescência. Sua obra é uma imprescindível, sofisticada e visceral voz da cultura latino-americana.

Mulheres é uma emocionante homenagem às mulheres da América Latina. Nesse livro, Galeano nos dá outra dimensão da história, de suas conquistas e derrotas, de seu sofrimento e de sua força.

[MÚSICA]
Costumo ouvir mais de um disco por fase, por isso falarei de alguns que tenho ouvido atualmente.

O novo trabalho de Biu Roque (a ser lançado)
Um dos principais músicos da Zona da Mata Norte de Pernambuco, Biu Roque foi como um pai para mim desde minha chegada ao estado na década de 1990. Um pai, um mestre, um amigo, uma das pessoas que mais me ensinaram sobre música. Esse disco, produzido por Caçapa, será lançado em breve, mas como participei dele tenho as faixas.

3 Suítes de J.S Bach para Violoncelo, Dimos Goudaroulis
Nessa obra, Dimos Goudaroulis segue o manuscrito de Ana Magdalena Bach. É de uma organicidade, um arrebatamento. Quando ouço, lembro muito da rabeca de Seu Luiz Paixão, o grande rabequeiro da Mata Norte de Pernambuco e meu mestre nesse instrumento.

Pimenta com Pitu, de Seu Luiz Paixão
Esse disco foi produzido por mim e coproduzido por Hugo Linns. Seu Luiz Paixão foi considerado pelo violoncelista francês Vincent Segalle o “Paganini da Rabeca”.

[FILME] Aquarius, de Kleber Mendonça
Foi muito forte para mim, que tenho residência em São Paulo e no Recife. É um grande filme, um documento sobre uma realidade que não acontece só no Brasil.

Cheguei ao Recife pela primeira vez em 1997 e em 2000 fixei residência. Da década de 1990 até os dias de hoje acompanhei uma mudança brutal da cidade. Vi belos e antigos casarões ser destruídos para a construção de arranha-céus, aquela brisa maravilhosa sendo impedida de circular; o descaso com o patrimônio arquitetônico histórico atacado pela voraz especulação imobiliária; a destruição ilegal do querido edifício Caiçara; a luta de resistência pelo cais José Estelita; o corte indiscriminado de árvores saudáveis pela prefeitura, criando-se grandes bolsões de calor.

Aquarius nos deixa colados na cadeira, e quando termina você se admira ao constatar que se passaram duas horas e meia de filme! Tudo está lá: as relações de poder, de apadrinhamento… Conduzido com tanta maestria. E no final… Quase gritei no cinema. Ainda mais tendo vivido num casarão de quase 300 anos em Olinda durante 12 anos numa eterna batalha contra pragas.

[LUGAR] Saco do Mamanguá, em Paraty (RJ)
Estávamos numa praia próxima ao Saco do Mamanguá e nossos amigos numa outra ao lado. Havia um morro entre nós e uma mata densa – para ir de um lado ao outro são 40 minutos de caminhada.

A noite de réveillon seria com esses amigos. Eu e uma amiga nos descuidamos do horário e entramos no morro já tarde. Foi uma experiência extrema de intuição para conseguirmos sair do outro lado da trilha, na outra praia.

Quando chegamos, estávamos tão extasiadas e aliviadas que corríamos pela praia, mergulhávamos no mar quase morno; os fitoplânctons cintilavam. Foi uma experiência transcendental.

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