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Sambas-enredo nota 10

Em 1993, coletânea produzida por Rildo Hora dava nova roupagem a 100 hinos históricos

O gaitista e produtor Rildo Hora e as capas dos discos produzidos por ele, a Coletânea Sony. Foto: Reprodução

No final de 1993, o gaitista e produtor Rildo Hora foi convidado pela gravadora Sony para conduzir a gravação de uma coletânea que traria os sambas-enredo de dez escolas de samba do Carnaval carioca. Cada uma das escolas teria dez importantes enredos sobre a sua história reinterpretados por nomes da música brasileira e por personagens de cada agremiação.

A coleção foi lançada no ano seguinte, 1994. O Tabuleiro do Álbum selecionou uma faixa de cada disco, sugerindo uma nova coletânea de sambas históricos para aquecer o fevereiro de 2013. Entre os intérpretes convidados estão João Bosco, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara e Zezé Motta.

“Xica da Silva” foi apresentada pela Salgueiro em 1963, ano em que a escola foi levada pela primeira vez ao Grupo Especial. Composto por Noel Rosa de Oliveira e Anescar, o tema é interpretado na coletânea por Zezé Motta, que viveu a personagem no cinema em Xica da Silva, de 1976, dirigido por Cacá Diegues.

“O Mundo Encantado de Monteiro Lobato” embalou o desfile da Mangueira em 1967. O enredo fez sucesso dentro e fora dos desfiles, na gravação de Eliana Pittman. Em razão disso, no ano seguinte, foi lançada a primeira compilação com todos os sambas-enredo do Carnaval, o LP Festival do Samba. Aqui, o samba é interpretado por Beth Carvalho.

Já “Heróis da Liberdade” foi levado à passarela pela Império Serrano, em 1969. Composto por Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira, o samba foi considerado, em votação preparada pelo jornal O Globo em 2002 e avaliada por 70 jornalistas e especialistas do Carnaval, o melhor samba-enredo de todos os tempos. Conta a história da escravidão até sua abolição, em 1889, exaltando personagens que lutaram pela liberdade. No disco de 1993, João Bosco é quem canta.

Em 1970, o samba-enredo “Lendas e Mistérios da Amazônia” deu à Portela o campeonato. O refrão “Ô esquindô lalá, ô esquindô lelê, olha só quem vem lá, é o saci pererê” passaria a habitar o imaginário popular. Esse desfile é marcado também pela introdução da figura da águia, símbolo da agremiação em todos os carros abre-alas que se sucederam. No álbum, quem solta a voz é Silvinho da Portela, o primeiro intérprete oficial da escola.

Em 1974, a União da Ilha ganhou o título do grupo de acesso pela primeira vez e subiu ao Grupo Especial com o samba-enredo “Lendas e Festas das Yabás”. No disco, o tema é interpretado por Aroldo Melodia (1930-2008), intérprete e compositor que defendeu a escola por 36 anos.

O samba da Mocidade Independente de Padre Miguel, “Como Era Verde o Meu Xingu”, composto por Fernando Pinto, não alcançou o campeonato de 1983. Mas teve tanta repercussão que a agremiação recebeu Estandarte de Ouro de melhor comunicação com o público. O samba é até hoje lembrado como um dos mais marcantes da história do Carnaval carioca. Paulinho Mocidade é quem conta essa história na coletânea.

>> OUÇA A PLAYLIST “OS MALDITOS TAMBÉM SAMBAM”

Para interpretar os sambas da Unidos de Vila Isabel foi convidado um dos ícones da agremiação, Martinho da Vila. Ele grava as dez faixas da coletânea, com alguns convidados. De autoria de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila, o samba-enredo “Kizomba, a Festa das Raças” foi o tema do desfile de 1988, que levou a escola ao título de campeã do Grupo Especial.

Sob a direção de Joãosinho Trinta, em 1989, a Beija-Flor revelou o samba “Ratos e Urubus… Larguem Minha Fantasia”. O enredo e a apresentação causaram polêmica. Um dos carros alegóricos trazia a imagem de um Cristo Redentor mendigo, que foi proibida pela Justiça após uma ação da Igreja Católica. O carro alegórico foi, então, coberto com um plástico com a inscrição à frente: “Mesmo proibido, olhai por nós”. Neguinho da Beija-Flor é o intérprete de todas as faixas do disco que traz os sambas da escola de Nilópolis.

“Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós” é um dos sambas-enredo mais conhecidos. Foi com ele que a Imperatriz Leopoldinense, ao comemorar os 100 anos da Proclamação da República em 1989, alcançou nota máxima em todos os quesitos, pela segunda vez em sua história. Preto Joia é o intérprete dessa versão.

Em 1992, a Estácio de Sá levou ao sambódromo a Semana de Arte Moderna de 1922, que completava 70 anos. Criado por Mário Monteiro e Chico Spinosa, neste ano a agremiação conseguiu a única vitória de sua história no Grupo Especial. A faixa é interpretada por Dominguinhos da Estácio.

  1. Nessa até eu errei (rsrs)…é para corrigir o texto original!!!!

    | Leo Ferreira
    • Leo, muito obrigado pela informação. Texto corrigido.

      | album

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