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Vitor Araújo: “Eu me desespero com o (disco) independente”

Ouça o segundo álbum do pianista pernambucano

texto Itamar Dantas

Pernambucano Vitor Araújo apresenta segundo álbum em São Paulo. Foto: divulgação

Vitor Araújo está no início de sua carreira. Com apenas 24 anos de idade, o músico pernambucano lançou seu segundo disco, em 2012, e se apresenta durante o mês de março no estado de São Paulo. A/B é o primeiro álbum de estúdio do músico, e o nome é uma referência aos discos de vinil, inspiração do artista para a disposição das músicas no CD e sua dinâmica. Quando lançou o primeiro álbum, TOC, Vitor tinha apenas 18 anos. Mas seu virtuosismo ao piano, a atitude no palco e a escolha de seu repertório logo o levaram ao patamar de revelação da música erudita e instrumental.

Enquanto o primeiro álbum é um registro ao vivo, basicamente de interpretações, o segundo é quase exclusivamente autoral. Dos seis temas do disco, apenas dois são de outros compositores. A/B é dividido, metaforicamente, em dois lados, como se fosse um bolachão. O “lado A” apresenta a suíte “Solidão”, dividida em quatro partes, tocada por piano solo e um quarteto de cordas. Já o “lado B” viaja entre ritmos, indo do baião ao rock, com participação especial de Naná Vasconcellos, Macaco Bong, Yuri Queiroga e a banda Rivotrill. “Há algum tempo, eu tinha alugado uma casa em Olinda, e queria ficar estudando e compondo. Em uma semana, compus cinco músicas. ‘Baião’ eu sentia que destoava das outras quatro, que tinham uma conexão. A ‘Solidão n. 4′ retoma muito sutilmente algo da ‘Solidão n. 1′. Essas quatro músicas formavam uma suíte. Ouvindo-as, sou tomado por esse sentimento de solidão. Não uma solidão de estar sozinho, mas de ser um só”, conta o músico.

Entre suas referências estão representantes da música brasileira erudita como Camargo Guarnieri e Villa-Lobos, mas também da música pop, como James Blake e Radiohead. Figuras como os pintores Modigliani e Renoir, e cineastas como Michael Haneke e Stanley Kubrick também inspiram o músico. “Eu me sinto muito influenciado pelo cinema. Cada filme que vejo molda meu estado de espírito, tem uma influência muito forte sobre mim. E isso acaba se refletindo na música também.”

O primeiro disco, TOC, que resultou também em um DVD, foi lançado pela gravadora Deckdisc. Já o segundo é lançado de modo independente, apenas com recursos próprios. Quanto à mudança, Vitor garante que cada forma de trabalhar tem suas vantagens, mas que ainda prefere o trabalho com a gravadora. “A minha carreira começou com a gravadora. Meu trabalho com a Deck foi muito bom. Na verdade, prefiro um trabalho parecido com esse. Eu me desespero muito com essa coisa do independente. Para mim, é muita energia disposta em coisas que não são música”, desabafa. Durante todo o mês de março, o músico se apresenta pelo estado de São Paulo, incluindo capital e interior. Para mais informações, acesse o perfil do músico no Facebook.

Abaixo, A/B na íntegra.

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