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Suingues minimalistas

Vitor Santana, João Pires e Marcos Suzano apresentam em São Paulo as suas conexões com o Brasil, Cabo Verde e Portugal

texto Itamar Dantas

Vitor Santana (esq.), Marcos Suzano e João Pires. À direita, a capa do disco Coladera. Foto: Vinicius Ribeiro

Coladera é um ritmo tradicional de Cabo Verde que, atravessando o Atlântico, veio dar nome ao novo álbum de Vitor Santana, João Pires e Marcos Suzano. Não somente dá nome, como também a liga para a proposta do disco de conectar a música brasileira às tradições portuguesas e cabo-verdianas.

A miscelânea vem das influências dos músicos. João Pires é português e visitava Cabo Verde com muita frequência quando morava em sua terra natal. Assim, trouxe o violão ibérico de  Portugal e ritmos como a coladera e a morna da ilha. Já Vitor Santana, em seu álbum solo, Beirute (2010), percorria caminhos para fora do território nacional em busca de outras referências musicais. Percorreu a África e a Europa à frente da Sociedade Internacional de Música, quando incorporou uma série de tradições ao seu som. E Marcos Suzano, importante percussionista brasileiro, traz um misto de pontes que faz a ligação com os dois universos. “A gente uniu o violão ibérico dele, música brasileira minha e o Marcos Suzano, que é um monstro”, conta Vitor Santana.

João Pires veio morar no Brasil em meados de 2010 e se instalou durante um ano e meio na casa de Vitor, em Belo Horizonte. Dali surgiram uma série de composições que integram o álbum. Ouvindo o disco, percebe-se a integração entre a música brasileira e os ritmos cabo-verdianos, que, para além de meras semelhanças, encontram suas raízes na história dos dois países. “Cabo Verde não era habitada antes de os portugueses chegarem lá. É uma mistura de portugueses com negros; tornou-se um lugar de comércio de escravos. É como se faltasse uma perna indígena ali para ser um Brasil. Se você ouvir os ritmos, a morna é quase um samba-canção”, diz Santana.

A  coladera é sucedida pelo samba “Antropologia da Malandragem”, sem grande alarde na mudança dos ritmos. E assim o álbum é construído, alternando menções dos três continentes, com um aspecto em comum: o suingue. ”O disco é muito suingado, não é um suingue batidão, tipo Olodum, é um suingue minimalista. Isto tem acontecido nos shows: quando vem esse ritmo meio africano, se você balançar o ombro sem perceber é porque o trem tá bão!”, garante o mineiro.

O trio apresenta Coladera em São Paulo nos dias 8 e 9 de fevereiro, na Casa do Núcleo. Para outras informações, acesse o site da Casa do Núcleo.

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