//seções//notas

Site traz histórias de bandas de Pernambuco

Site Orquestras de Pernambuco – Quatro Olhares sobre Bandas Históricas apresenta grupos populares do estado e sua trajetória

texto Itamar Dantas

Músico da Banda Firmino da Veiga, retratado pelo fotógrafo Hélder Tavares

O site Orquestras de Pernambuco – Quatro Olhares sobre Bandas Históricas apresenta narrativas a respeito de bandas populares de Pernambuco. O projeto, idealizado e encabeçado pela jornalista e produtora cultural Pérola Braz, conta – sob a visão de cinco repórteres e dois fotógrafos – a história de cinco importantes grupos musicais do estado, identificando as nuances e alguns dos personagens marcantes de cada um.

As bandas Curica e Saboeira, de Goiana, foram escolhidas por representar os grupos tradicionais de cidades do interior e por uma característica curiosa: sua rivalidade centenária. A Banda Firmino da Veiga, de Paulista, tem sede em uma escola e oferece formação aos alunos que se interessam por música. Já a Super Oara, de Arcoverde, se apresenta em bailes, com formação que inclui o crooner e se inspira em bandas como a Orquestra Tabajara. A Banda Sinfônica da Cidade do Recife, com um perfil sinfônico que transita entre o erudito e o popular, finaliza o grupo radiografado no projeto.

Foi Pérola Braz quem definiu esse recorte, mostrando a multiplicidade de formações e propósitos das brass bands em Pernambuco. “Comecei a conectar as orquestras sinfônicas com as bandas populares. Não é a formação de uma universidade de música e também não é uma formação dessa música independente que está acontecendo agora. Queria demonstrar essa diversidade”, revela a idealizadora do projeto.

Os jornalistas Aline Feitosa e Renato L. foram os responsáveis por trazer à tona a história das bandas Curica e Saboeira, sob o registro fotográfico de Beto Figueiroa. A banda Curica foi criada em 1848; a rival, em 1849 – desde então, a competição entre os dois grupos musicais toma conta de Goiana. “Eram rivais mesmo. E a cidade era bem dividida entre quem era da Curica e [quem era] da Saboeira. Eu quis falar sobre isso e principalmente visitá-las atualmente. É uma fotografia de hoje desses grupos”, conta Pérola.

Já a Banda Firmino da Veiga teve sua história narrada por Rodrigo Édipo, com fotos de Hélder Tavares. Entre as inúmeras histórias de vida modificadas pelo ensino da música que a banda proporcionou está a trajetória de Neris Rodrigues – atualmente trombonista do músico Johnny Hooker – e de Leo da Tuba, músico que acompanha o cantor e compositor Siba. Na narrativa sobre o grupo também são abordadas as dificuldades em manter o projeto. “Essa banda se segura até hoje porque os alunos e os músicos são muito engajados”, garante Pérola.

A Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos – a Super Oara – representa um perfil um pouco diferente dessas bandas populares. Baseado nas big bands norte-americanas, com repertório romântico e popular, o grupo embala as noites em bailes e festas no interior de Pernambuco desde 1958, quando foi criado. O relato sobre a banda, produzido pela jornalista Karol Fernandes (com fotos de Hélder Tavares), narra a visita a uma apresentação no 35o Baile Maçônico do Clube Rotary de Arcoverde, com entrevista concedida pelos músicos Beto da Oara e seu filho, o crooner Elaque Amaral, entre outros personagens.

A Banda Sinfônica da Cidade do Recife fecha o grupo registrado no projeto com uma história narrada pela jornalista Amanda Nascimento (e fotos também de Hélder Tavares). O atual maestro do grupo, Nenéu Liberalquino, e o saxofonista Nilson Amarante são alguns dos personagens cuja trajetória se destaca em meio aos inúmeros desafios da banda, que não tem sede desde 2008. O repertório, que apresenta desde Villa-Lobos até trilhas sonoras de filmes hollywoodianos, aproxima a comunidade local tanto da música popular quanto da erudita.

Segundo Pérola, o projeto – que seria um mapeamento dessas bandas no estado – se tornou um registro de histórias que trazem um pouco da importância dos grupos em suas comunidades. A ideia é ampliá-lo para que apresente outras narrativas de Pernambuco e também do estado de São Paulo. “Essa identificação varia muito dependendo do lugar. Já foi bem mais forte; ela não tem mais essa representatividade. É uma questão mais de resistência do que de importância social”, conta. “[O objetivo] é contar as histórias dentro das histórias. Conversar com os maestros e entender como isso passa de geração para geração. Eu acabei fazendo um recorte de alguns grupos que são bem diferentes entre si, com formações diferentes… Algumas são bandas de escolas, outras são mais comerciais.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. João Parahyba: o tradicional e o moderno

    Registros das missões de Mário de Andrade estão entre as indicações do músico paulista

  2. “Nós fomos a resistência do choro”

    A trajetória de uma das figuras centrais do choro paulistano: Izaías do Bandolim

  3. Caixa Cubo lança seu primeiro álbum

    Música instrumental do baterista João Fideles e do pianista Henrique Gomide chega à França

  4. Ôctôctô do outro lado do Atlântico

    Saxofonista Luís Málaga comenta a experiência do grupo na Europa

  5. Beatles de lata e PVC

    Grupo Uakti interpreta clássicos do quarteto de Liverpool

  6. “Tem gente que diz assim: não é só tu que tá tocando”

    Sebastião Tapajós conta sua trajetória à Série +70 e relata impressões sobre seu disco Guitarra Criolla, de 1982

  7. Gustavo Telles: uma pata em cada canoa

    Autobiografia de Tremendão está sobre o criado-mudo do baterista da Pata de Elefante

  8. Em SP, Néctar do Groove antecipa seu segundo CD

    Banda apresentou seu jazz nordestino no Instrumental Sesc Brasil

  9. “Villa-Lobos é o pai da música brasileira contemporânea!”

    Mario Adnet comenta seu novo álbum, dedicado à obra do autor de "Trenzinho do Caipira"

  10. Imperfeições à Guinga

    Compositor carioca comenta seu primeiro álbum gravado somente com voz e violão

    1. Mistura e Manda, por Banda Pequi

      Choro que batiza disco de 1983 de Paulo Moura ganha versão de big band pelo grupo goiano

    2. Vovô Manuel, por Banda Mantiqueira

      Música foi lançada originalmente no CD Terra Amantiquira, de 2006

    3. “Sempre quis desafiar os dogmas consolidados pelo tropicalismo!”

      Criado pelo baixista Munha, grupo de música instrumental mescla influências de Mahler, bossa nova e rock

    4. Ricardo Herz e Samuca do Acordeon

      Duo de violino e acordeom interpreta a autoral "Novos Rumos"

    5. Zé Menezes: “Tocador de violão não tinha valor nenhum”

      Músico cearense relembra a Rádio Nacional, as orquestras e Garoto

      1. Especial Kuarup Disco (Parte 2)

        Segunda parte do especial sobre a gravadora carioca focaliza a música instrumental. Com Dino 7 Cordas e Raphael Rabello, Carlos Poyares e Paulo Moura

      2. Série Instrumento: Violão

        Seleção lista interpretações de Dilermando Reis, Rosinha de Valença, Vera Brasil, Geraldo Vespar e Sebastião Tapajós

      3. Série Instrumento: Baixo

        Playlist reúne os titulares do ritmo Luizão Maia, Luiz Chaves, Liminha, Jamil Joanes e Arthur Maia

      4. Série Instrumento: Bateria

        Com os craques do ritmo João Barone, Milton Banana, Edison Machado, Zé Eduardo Nazário, Nenê e Chico Batera

      5. “O diferencial do Paulinho Nogueira eram os acordes”

        Ele começou sua carreira como desenhista de publicidade e, anos depois, assumiu o violão profissionalmente. Juju Nogueira recorda a trajetória do pai

      6. Especial Jacob do Bandolim

        A carreira de um dos instrumentistas mais originais surgidos no Brasil. Por Carlos Careqa

      7. Sons que fizeram o som do Duofel

        Genesis, Los Indios Tabajaras, Pink Floyd e Baden Powell estão na lista de Luiz Bueno e Fernando Mello

      8. Hector Costita homenageia Astor Piazzolla

        Em show no Auditório Ibirapuera, músico argentino revê carreira e homenageia o renovador do tango

      9. Sem bandleader

        O rock instrumental brasileiro, de Os Incríveis a Pata de Elefante e Macaco Bong

      10. Hermeto Pascoal no Auditório Ibirapuera

        Hermeto Pascoal e Grupo realizaram apresentação recheada de improvisações