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Ro Ro por eles

Coitadinha Bem Feito traz 17 releituras de Angela Ro Ro

texto Itamar Dantas

Angela Ro Ro e suas 17 vozes. Fotos: reprodução

Não é um tributo, tampouco uma compilação de clássicos. O álbum Coitadinha Bem Feito, disponível para download gratuito, traz uma nova visão de artistas contemporâneos para a obra da cantora e compositora Angela Ro Ro, em 17 releituras de canções escolhidas a dedo pelo jornalista e produtor Marcus Preto.

A história do álbum começou com o convite do proprietário do selo Joia Moderna, o DJ Zé Pedro, a Marcus Preto para assumir a direção artística de um disco. O selo, até então, só havia lançado álbuns encabeçados por vozes femininas – uma das premissas da gravadora. Mas Preto resolveu inverter os papéis e apresentar a obra de uma mulher, desta vez interpretada somente por homens.

E dessa ideia até chegar ao nome de Angela Ro Ro foi um caminho fácil. Marcus ouve as músicas da cantora e compositora desde a adolescência e achou interessante dar outra visão ao trabalho da compositora carioca. “Gosto muito do que ela faz na canção. A Angela consegue fazer tudo de uma maneira aparentemente simples e, em boa parte dos casos, ela consegue tirar o máximo desse casamento de música com letra; na hora que junta as duas coisas vira uma pedrada. Ela viveu cada um daqueles dramas ali. Isso é muito forte nela, a naturalidade de como a música e a letra dizem as coisas. Ela não está inventando, aconteceu isso mesmo”, relata o jornalista.

Com essas metas já definidas, era hora de iniciar os convites. Thiago Petit e Hélio Flanders foram os primeiros convidados, já que Preto sabia que os músicos topariam na hora graças à proximidade com a obra de Ro Ro. Lira, ex-Cordel do Fogo Encantado, em seu primeiro disco solo, Lira (2011), contou com a participação de Ro Ro na faixa “Valete”  e registrou “Renúncia” no novo projeto. De todos os 17 artistas convidados, nem todos tinham tanto contato com suas músicas. Pélico e Dani Black foram alguns dos que começaram a percorrer o trabalho da artista a partir do convite.

A Kiko Dinucci foi sugerida “Fogueira”, canção de construção melódica simples, já que Kiko tem o hábito de “entortar as músicas”, segundo o jornalista. Kiko pediu outra, uma mais lado B. Preto então lhe entregou o “Tango da Bronquite”. “Ele queria uma coisa mais marginal. Eu mostrei o ‘Tango da Bronquite’. E aí ele fez para mim uma das melhores faixas do disco. Segundo ele, uma mistura de Nina Hagen com Walter Franco”, conta Preto.

Uma das diretrizes de Preto era que o disco não soasse como um tributo e o foco estivesse voltado aos intérpretes. “A Angela Ro Ro era a desculpa para que rolasse um retrato de uma partezinha desta nova geração de artistas. Eu queria que fossem os caras que fizessem uma contravenção daquilo, mas ao mesmo tempo soasse natural na boca deles”. Completam o time Lucas Santtana, Leo Cavalcanti, Romulo Fróes, Tatá Aeroplano, Otto, Gui Amabis, Adriano Cintra, Rodrigo Campos, Rael, Gustavo Galo e Juliano Gauche.

  1. Fantástico! Emocionante! O show foi um vibrante tb!

    | Fabrício Ono

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