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Projeto mapeia a trajetória do violão brasileiro

Disco reúne 12 músicos que mudaram a história do instrumento

texto Itamar Dantas

Em 2012, foi lançado o livro Violão Ibérico, pontapé inicial da editora Trem Mineiro Produções Artísticas. O livro do jornalista e pesquisador Carlos Galilea mostra os caminhos do violão desde a chegada da viola portuguesa às Américas até a popularização do violão pelo Brasil. Para dar continuidade ao projeto, é lançado o disco homônimo, que traz a obra de 12 violonistas compositores – 11 brasileiros e o espanhol Vicente Amigo. Entre os músicos escolhidos para integrar a obra estão Baden Powell (1937-2000), Raphael Rabello (1962-1995), Yamandu Costa, Toninho Horta, Marco Pereira, Guinga, Marcus Tardelli, Zé Paulo Becker, Marcello Gonçalves, Juarez Moreira e Lula Galvão.

Vários foram os expoentes que ajudaram a construir a estética singular do violão tupiniquim. João Gilberto definiria a bossa nova com sua batida tímida e suingada. Mais tarde, nomes como Gilberto Gil e João Bosco deram ao instrumento outras dimensões rítmicas, ampliando suas possibilidades na música popular. Já na música instrumental, da erudita à popular, outros tantos nomes foram significativos. Villa-Lobos escreveu importantes peças para violão. Baden Powell deixaria também sua marca. Sobre a seleção dos músicos, a produtora do projeto Giselle Goldoni Tiso comenta: “Foi superdifícil. O primeiro critério foi o de excelência: grandes músicos que, de alguma forma, contribuíram para avançar a estética do instrumento. Mantiveram a tradição mas também caminharam”.

>> OUÇA A PLAYLIST: SÉRIE INSTRUMENTO – VIOLÃO

Guinga, em uma das entrevistas concedidas para o projeto, garante que o violonista Marcus Tardelli, de 36 anos, é um dos gênios da atualidade no violão. “O violão encontrou o seu Mozart. Além de ser um revolucionário, ele mudou completamente a maneira de tocar violão. O violão era um, depois dele virou outra coisa”, garante o músico. Marcus é conhecido pela técnica de usar o dedo polegar esquerdo para apertar as cordas, enquanto o mais comum é que o polegar seja utilizado como apoio, atrás do braço do violão.

“O álbum poderia ter quatro volumes”, diz Giselle Goldoni, comentando a falta de violonistas como os paulistas Paulo Belinatti e Dilermando Reis e o paraense Sebastião Tapajós. Mas, se não estão representados no álbum, são citados no livro, com suas trajetórias conectadas à história do instrumento desde sua chegada do Velho Continente. “O violão é um instrumento condutor de ritmos muito importantes, como o choro e a bossa nova no Brasil e o flamenco na Espanha. Aqui, ele cria uma história nova, do violão brasileiro”, finaliza.

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