//seções//notas

Popular, mas sem clichês

Filarmônica de Pasárgada lança seu primeiro álbum, O Hábito da Força

texto Itamar Dantas

A Filarmônica de Pasárgada e a capa do álbum de estreia, O Hábito da Força. Fotos: divulgação

Egressa do curso de música da Universidade de São Paulo (USP), a proposta da Filarmônica de Pasárgada tem elementos do erudito, como sugere o nome. Mas é no popular que finca suas raízes. Marcelo Segreto, compositor e principal arranjador do grupo, explica que a referência a Manuel Bandeira (autor do poema “Vou-me Embora pra Pasárgada”, que inspirou o nome da banda) se dá na forma simples de falar do cotidiano.

Segreto é formado em letras e conclui agora o bacharelado em música. Diz que um dos desafios do grupo é fazer com que letra e arranjos não soem banais, convencionais. “O legal é sair do chavões. Se for para falar de amor, nós falamos; mas, se cair no banal, a mensagem perde a força. Então, tanto nos arranjos quanto nas letras, buscamos uma forma diferente de passar a mensagem.”

O disco de estreia, O Hábito da Força, já está pronto e disponível para audição on-line. O lançamento oficial está previsto para 2013. O álbum conta com participações de Luiz Tatit, Ná Ozzetti, Kassin, Cerqueira e Lurdez da Luz e foi gravado nos estúdios do selo Coaxo do Sapo, de Guilherme Arantes, na Bahia.

A relação com a cidade de São Paulo expressa em algumas canções do disco não é à toa. Segreto diz que compõe especialmente quando anda pela cidade, no metrô, no ônibus ou observando os transeuntes. “Dificilmente componho em casa. E não dá para ouvir música andando pela cidade. Então, componho muito durante esses deslocamentos. Isso dá mais vida às canções.”

A busca por uma composição mais viva é também fruto dos debates promovidos no ambiente acadêmico. Segundo o músico, foi nas aulas de Walter Garcia, professor de música popular da USP, que surgiu a necessidade de buscar formas não convencionais de tratar a letra e os arranjos. “Quem me despertou para isso foi o Walter Garcia. Achei que minhas músicas até então não tinham esse embate com a realidade. Surgiu a necessidade de explorar coisas que estão vivas. Explorar um jeito de falar que não esteja morto. Explorar formas da linguagem, fazer com que a letra trabalhe com a língua. Para o arranjo, tento explorar timbres, coisas diferentes. A música “O Hábito da Força” não tem acordes. Ela faz um intervalo de 2a maior; é toda feita de texturas e ritmos”, conta o compositor.

O álbum – disponível para audição no player abaixo – foi produzido por Alê Siqueira. O grupo é formado por Fernando Henna (piano, teclados, acordeom e eletrônica), Marcelo Segreto (voz e violão), Migue Antar (contrabaixo elétrico), Paula Mirhan (voz), Paulo Ramos (trombone), Raquel Rojas (fagote e flauta) e Rubens de Oliveira (bateria e percussão).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. De olho no funk e no axé

    Em seu segundo disco, Filarmônica de Pasárgada reinventa a canção a partir de ritmos populares

  2. 30 anos em quatro letras: NáZé

    Zé Miguel Wisnik e Ná Ozzetti lançam álbum que celebra parceria de três décadas

  3. Rua Teodoro Sampaio, 1091

    Dirigido por um de seus fundadores, Riba de Castro, documentário conta a história do teatro Lira Paulistana

  4. Morre o baixista Tuco Freire

    Músico era um dos mais ativos da cena paulistana desde os anos 1980

  5. Na íntegra, on-line (2013)

    Lista traz 27 discos nacionais disponibilizados para download ou audição on-line

  6. #Algorritmos_FilarmônicadePasárgada

    Terceiro álbum da banda usa a linguagem e questões da internet como mote para as canções

  7. “Sou a sacerdotisa que guia a cerimônia”

    Folclore e música contemporânea dão a tônica à carreira da cantora Titane

  8. Samba, vanguarda e estrelas

    Documentário sobre Arnaldo Baptista está na lista de Wandi Doratiotto

  9. Alzira e Itamar, juntos de novo

    Em novo álbum, cantora retoma antigas parcerias com Itamar Assumpção

  10. “Sinto minha história parecida com a do Cem Anos de Solidão”

    Clássico do colombiano Gabriel Gárcia Márquez é uma das sugestões de Jerry Espíndola

    1. Porcas Borboletas

      Banda universitária surgida em Uberlândia reverencia a música popular brasileira de laboratório, de Hermeto Pascoal a Caetano Veloso, Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção

    2. Tião Carvalho: “Foi muito bom a Cássia Eller ter gravado uma música minha”

      Cantora carioca gravou Nós pela primeira vez para seu disco ao vivo de 1996

      1. Luiz Tatit: “O rap lembra o Rumo em seu estágio mais cru!”

        Professor e compositor comenta a trajetória e as heranças do conjunto que dissecou o canto falado

      2. Sons que fizeram o som do Inocentes

        Clemente lista músicas fundamentais para se entender uma das bandas símbolo do punk brasileiro

      3. Gero Camilo: “Aguardei a coragem para assumir meu lado musical”

        Ator fala de suas influências musicais, como a Tropicália e o Pessoal do Ceará, e apresenta seu CD Canções de Invento

      4. Bocato: “Tenho um jeito meio esquisito de tocar!”

        Trombonista relembra o início da carreira, quando tocou com Elis Regina e Arrigo Barnabé, e comenta o álbum Hidrogênio