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“Pegue as minhas mãos”

Em show, Bárbara Eugenia reinterpreta disco de estreia da cantora Diana, de 1972

texto Itamar Dantas

Diana e Bárbara Eugenia e as capas de É o que Temos (2013) e Diana (1972). Foto: Pamela Leme

Bárbara Eugenia não era nascida quando Diana lançou seu disco de estreia, em 1972. Não pôde acompanhar na época o sucesso que o disco fez, mas lá na frente, em meados de 2008, conheceria o álbum por meio de seu amigo Fernando Catatau, enquanto ele discotecava em sua festa de aniversário.

No ano seguinte, passeando por Recife, Bárbara se deparou com o álbum azul e o rosto da jovem Diana estampado na capa. Levou o disco para casa. Dali tiraria uma música que entraria para o repertório de seus shows, “Meu Lamento”.

Quando foi convidada a integrar o time de músicos que faria uma homenagem ao brega no programa Som Brasil, da TV Globo, interpretou outra canção do álbum e ouviu elogios de Odair José – ex-companheiro de Diana –, que acompanhava a passagem de som nos bastidores. “Ele disse: você tem de gravar, combina muito. Falei: se o Odair José disse, a gente tem de gravar”, conta Bárbara.

Em 2013, Bárbara levou a canção ao seu segundo disco [É o que Temos, Oi Música], que lhe rendeu a Melhor Versão do Ano do Prêmio Multishow. Depois, a própria Diana a procuraria para parabenizá-la pela releitura.

O álbum azul

O disco de Diana foi lançado pela CBS, gravadora que apostava em um novo produtor musical, Raul Seixas, que começara a carreira na gravadora em 1970. No repertório, quatro canções de autoria de Raulzito em parceria com Mauro Motta são acompanhadas de oito versões de músicas estrangeiras, indo de Neil Diamond (“I Am… I Am Sad”, que se tornaria “Porque Brigamos”) e Raul Vazquez (“Voy a Guardar Mi Lamento”, transformada em “Meu Lamento”) a Carole King e Gerry Goffin (“When My Little Girl Is Smilling”, traduzida em “Quero Te Ver Sorrindo”) e Buffy Sainte-Marie (“Take My Hand for a While” em “Pegue as Minhas Mãos”). Esta última foi a única versão do disco assinada por Raulzito; as demais por Rossini Pinto.

Pelo menos cinco músicas estouraram nas rádios. “Esse disco não foi sucesso, ele é sucesso. É vendido até hoje em mais de 15 edições nacionais. Antigamente, um LP trazia uma, duas músicas que iam ser mais trabalhadas nas rádios. A peculiaridade desse disco é que ele colocou pelo menos cinco canções nas paradas”, conta Diana. O sucesso ainda lhe rendeu a participação na coletânea da gravadora lançada no mesmo ano, As 14 Mais, em que dividia canções com Márcio Greyck, Renato e Seus Blue Caps e Roberto Carlos. Em 2006, a faixa “Tudo que Eu Tenho (Everything I Own)”, de David Gates, foi a trilha da atriz Hermila Guedes no filme O Céu de Suely, de Karim Aïnouz.

Bárbara Eugenia sobe ao palco do Sesc Pinheiros na quarta-feira (12/3), às 21h, para interpretar o álbum na íntegra acompanhada do guitarrista e produtor Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e da cantora Karina Buhr, além da própria Diana. A banda que acompanha o time é formada por Davi Bernardo (guitarra), Jesus Sanchez (baixo), Astronauta Pinguim (minimoog, piano, órgão e theremin) e Clayton Martin (bateria e sampler).

  1. É O QUE TEMOS é o segundo disco da Bárbara, não o primeiro.

    | matheus matheus
    • Matheus, muito obrigado pela correção.

      | album

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