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“Para evoluir é importante arriscar”

Silva fala de seu terceiro álbum, "Júpiter"

texto Itamar Dantas

Silva apresenta disco com pegada pop e letras que passam por questionamentos existenciais e experiências pessoais. Foto: Jorge Bispo

Silva, codinome e sobrenome de Lúcio Silva de Souza, já passou do posto de revelação da música brasileira para figura consolidada no cenário pop. Depois de aparecer para o público inesperadamente com um EP (Silva, 2011), composto e produzido em seu quarto e bancado por sua família, Silva vem trilhando um caminho musical com arranjos eletrônicos, passeando por diversos ritmos e trazendo letras que abrangem suas experiências pessoais e seus questionamentos existenciais.

No terceiro álbum de sua carreira, Júpiter – que será lançado em São Paulo no Auditório Ibirapuera, nos dias 20 e 21 de fevereiro –, Silva vai para um planeta distante onde as pessoas podem ser elas mesmas, já que o músico afirma não ter percebido, em suas viagens pelo mundo com seu trabalho, muita diferença entre as pessoas nos diferentes lugares por onde passou.

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Em entrevista ao Álbum, o artista fala das inspirações para o novo trabalho, da relação com a música de Dorival Caymmi (Silva regravou “Marina” no repertório do disco) e das novas experiências que vem conquistando com a carreira.

ÁLBUM – Conte um pouco sobre a construção dessa metáfora de Júpiter e o que ela oferece ao seu público.
SILVA – O nome Júpiter me fascinou mesmo antes de eu aprender alguma coisa sobre o planeta. Quando comecei a viajar com meu segundo disco, Vista pro Mar, fui a cidades e países aos quais sempre sonhei em ir, mas fiquei um tanto entediado com o efeito da globalização. Vi coisas muito parecidas em todos os lugares e comecei a correr atrás das coisas de que eu realmente gostava – do que eu teria de único –, e resolvi falar sobre isso nesse disco, que se chama Júpiter. O álbum fala de amor e liberdade de um jeito muito pessoal.

Mudou algo no seu processo criativo e de produção das músicas desde que você passou a ter mais visibilidade?
Algumas coisas mudaram, sim. Eu sempre gostei de criar na estrada, desde o começo, mas de uns tempos para cá isso passou a ser uma necessidade, já que agora eu viajo com mais frequência. Para compor Júpiter eu tive de aproveitar os momentos no avião, no hotel e na van para criar meus esboços e guardar minhas melhores ideias de música. Foi algo novo para mim, mas também divertido. Adoro ser desafiado.

Qual é a sua relação com a música de Dorival Caymmi? Como “Marina” entrou em seu repertório?
Essa relação já é bem antiga. Meu avô amava Dorival Caymmi e costumava cantar algumas músicas em casa no volume máximo; eu adorava. E foi numa dessas vezes que conheci “Marina”. Adorava a parte do “eu tô de mal” e sempre quis fazer uma versão minha para essa música. Achei que ela se encaixaria no Júpiter e resolvi trazê-la para o clima do álbum.

O que você traz do seu tempo de estrada no novo disco? Como as turnês e os contatos influenciam esse trabalho?
Acho que esse tempo de estrada me deu coragem para tentar coisas novas musicalmente. Quando você recebe boas críticas, as pessoas esperam que você continue naquela fórmula que deu certo, mas eu já acho isso entediante. Comprar um disco de alguém já sabendo o que esperar é algo bem frustrante. Então acho que fui me dando esse direito de arriscar e, como gosto muito de me comunicar com o público que me segue, tinha certeza de que as pessoas iam gostar do que eu trazia de novo. Para evoluir é importante arriscar, e é aqui que começa Júpiter.

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