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Para estranhar

Segundo disco de Iara Rennó traz power trio com sonoridade pop, pero no mucho

texto Itamar Dantas

Iara Rennó apresenta segundo disco com power trio de formação incomum e sonoridade ruidosa. Foto: divulgação

Iara Rennó acaba de lançar o seu segundo disco, I A R A. Ex-backing vocal de Itamar Assumpção, a cantora também compôs, ao lado de Anelis Assumpção e Andreia Dias, a banda Dona Zica. Em 2009, em Macunaíma musicou o clássico livro de Mário de Andrade.

Em I A R A, Rennó apresenta 11 composições autorais e 1 regravação: a música “Roendo as Unhas”, de Paulinho da Viola [do álbum Nervos de Aço, 1973]. Depois de uma miniturnê pela Europa, a cantora começou a esboçar o novo disco. Para a produção, chamou Moreno Veloso. Na banda, com sua guitarra em punho é acompanhada por Ricardo Dias Gomes, que toca um pocket piano no lugar do baixo, e por Leo Monteiro, que toca bateria, percussão eletrônica e ruídos.

É difícil definir o som de Iara. É pop, é rock, é indie. Com a formação pouco comum, a banda passeia por diferentes ritmos, levando ao ouvinte uma sonoridade estranha, com essência pop. “Tem uma coisa pop, talvez indie, mas é uma sonoridade bem universal, você pode encontrar no pop”, garante a cantora.

As músicas foram gravadas praticamente ao vivo, com poucas interferências posteriores. Com relação à substituição do baixo por um pocket piano, Iara diz que foi em busca de timbres diferentes para fazer sua música. ”No Macunaíma, já não tinha baixista. O pocket piano tem um subgrave mais potente, eu gosto dessa variação de timbres”, conta.

Iara revirou o samba de Paulinho da Viola e foi até a música dodecafônica em “Estribilho”, buscando uma sonoridade um pouco mais incômoda. No trabalho gráfico do álbum, a estranheza também foi o guia. Com roupa e pele brilhantes, a cantora assume uma persona exótica, quase alienígena, segundo ela mesma. “É uma coisa meio alienígena, isso combina com a estética da sonoridade, que é um pouco estranha. A pele com purpurina, menos de Carnaval e mais como uma pele que brilha, um ser estranho mesmo.”

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