//seções//notas

Pandeiro com assinatura

Ex-guitarrista em Nova York, Scott Feiner lança seu 4º álbum

texto Itamar Dantas

Rafael Vernet (esquerda), Guilherme Monteiro e Scott Feiner. À direita, a capa de A View from Below. Fotos: divulgação

Scott Feiner é um músico com uma história peculiar. Norte-americano, ele largou a guitarra para tocar pandeiro quando já vivenciava o jazz ao lado de grandes nomes de seu país. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 2001 para aprender o instrumento e, como pandeirista, chega agora ao seu quarto álbum, A View from Below, em que pela primeira vez se aventura em uma obra inteira de sua autoria.

O nome A View from Below (Uma visão de baixo) pode parecer uma referência à sua vinda para a região sul do globo, representando uma mudança de ponto de vista. No entanto, não é nesse aspecto que o músico se baseou para  nomear seu disco. A inspiração veio da janela de sua casa, na capital fluminense. “Moro em um apartamento que tem uma vista incrível, de baixo pra cima, do Corcovado. Eu estava sentado no sofá pensando nisso. O Rio, em si, tem isso, tem tantos morros. Você está sempre olhando pra cima”, conta.

LER TAMBÉM O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada

Em sua proposta 100% autoral, o músico é acompanhado de Rafael Vernet (rhodes e wurlitzer) e Guilherme Monteiro (guitarra), que envolvem o som do pandeiro em harmonias e melodias criadas por Scott. “É um formato que sai um pouco fora do tradicional do jazz. Se você pegar os dois discos anteriores e colocar um baterista, soaria mais natural. Agora o som está mais pessoal”, garante.

Como pandeirista, Scott não tem o hábito de compor com muita frequência. Para criar o álbum, foi necessário um período de grande concentração. Entre batidas em seu pandeiro e incursões ao violão e teclado, foi criando as harmonias e melodias que são ouvidas em A View from Below. “ ‘Raízes’ começou a sair em cima da levada. Outra começou com uma linha de baixo no violão. Tem uma outra melodia que me veio na cabeça sem nenhum instrumento na mão, um riff. Às vezes, começa com harmonia, com melodia e com ritmo.”

Depois de mais de 15 anos dedicado ao estudo do pandeiro, Scott confessa a maturidade de seu trabalho artístico. “Acho que tenho uma personalidade no instrumento que cada músico deve procurar. Pra mim isso é muito especial, é ter um som que tenha uma assinatura minha”, finaliza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. Toninho Ferragutti: “Tem de cuidar do seu próprio quintal”

    Acordeonista fala de seu novo CD e do papel do músico na era da internet

  2. “Éramos chamados de quadrados”

    Izaías do Bandolim fala do período em que o choro ficou esquecido em meio à invasão de ritmos estrangeiros

  3. A música na essência

    Naná Vasconcelos lança novo álbum inspirado nos quatro elementos da natureza

  4. “Quando morrer, daqui a cem anos, quero voltar músico!”

    Aos 91 anos, Zé Menezes relembra Garoto, Radamés e Os Velhinhos Transviados

  5. A malícia e o jazz do choro carioca

    Em Rio, Choro, Jazz... Antonio Adolfo revisita obra de Ernesto Nazareth e lança música em sua homenagem

  6. “Tive inveja de não ter o samba em Portugal”

    Cantora portuguesa, Sara Serpa fala de sua carreira e da segunda visita ao Brasil

  7. Os compassos irracionais do Entrevero Instrumental

    Quarteto lança Estratossoma, que passeia pela música regional, música atonal e improvisação

  8. Rolinhos vietnamitas à Léa Freire

    Filha da flautista e compositora, Tita dá a receita de um prato que faz a cabeça da mãe

  9. Música clássica para todos

    “Temos que mostrar para as novas gerações que é possível escutar sem cair no tédio”, diz o clarinetista belga

  10. O violino e o vibrafone

    Ricardo Herz (dir.) e Antonio Loureiro promovem encontro inusitado em disco

    1. Mistura e Manda, por Banda Pequi

      Choro que batiza disco de 1983 de Paulo Moura ganha versão de big band pelo grupo goiano

    2. Vovô Manuel, por Banda Mantiqueira

      Música foi lançada originalmente no CD Terra Amantiquira, de 2006

    3. “Sempre quis desafiar os dogmas consolidados pelo tropicalismo!”

      Criado pelo baixista Munha, grupo de música instrumental mescla influências de Mahler, bossa nova e rock

    4. Ricardo Herz e Samuca do Acordeon

      Duo de violino e acordeom interpreta a autoral "Novos Rumos"

    5. Zé Menezes: “Tocador de violão não tinha valor nenhum”

      Músico cearense relembra a Rádio Nacional, as orquestras e Garoto

      1. Sons que fizeram o som do Duofel

        Genesis, Los Indios Tabajaras, Pink Floyd e Baden Powell estão na lista de Luiz Bueno e Fernando Mello

      2. Hector Costita homenageia Astor Piazzolla

        Em show no Auditório Ibirapuera, músico argentino revê carreira e homenageia o renovador do tango

      3. Sem bandleader

        O rock instrumental brasileiro, de Os Incríveis a Pata de Elefante e Macaco Bong

      4. Hermeto Pascoal no Auditório Ibirapuera

        Hermeto Pascoal e Grupo realizaram apresentação recheada de improvisações

      5. A música de Paulinho da Viola pela Escola do Auditório Ibirapuera

        Cinco formações da Escola interpretaram músicas do sambista e de outros artistas brasileiros

      6. Especial Kuarup Disco (Parte 2)

        Segunda parte do especial sobre a gravadora carioca focaliza a música instrumental. Com Dino 7 Cordas e Raphael Rabello, Carlos Poyares e Paulo Moura

      7. Série Instrumento: Violão

        Seleção lista interpretações de Dilermando Reis, Rosinha de Valença, Vera Brasil, Geraldo Vespar e Sebastião Tapajós

      8. Série Instrumento: Baixo

        Playlist reúne os titulares do ritmo Luizão Maia, Luiz Chaves, Liminha, Jamil Joanes e Arthur Maia

      9. Série Instrumento: Bateria

        Com os craques do ritmo João Barone, Milton Banana, Edison Machado, Zé Eduardo Nazário, Nenê e Chico Batera

      10. “O diferencial do Paulinho Nogueira eram os acordes”

        Ele começou sua carreira como desenhista de publicidade e, anos depois, assumiu o violão profissionalmente. Juju Nogueira recorda a trajetória do pai