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Os filhos cantam Caymmi

Álbum em homenagem ao centenário do músico baiano traz Dori, Nana e Danilo cantando obras menos conhecidas do pai

texto Itamar Dantas

A capa do disco traz um autorretrato de Dorival. À direita, os irmãos Dori, Nana e Danilo Caymmi. Foto: Sylvia Gostonyi

Em 2013, Dori Caymmi começou a pensar no projeto com que daria início às celebrações do centenário de seu pai, Dorival Caymmi,  a ser comemorado em 30 de abril de 2014. Foi buscar em um livro de 1947, Cancioneiro da Bahia, músicas de Dorival menos gravadas, para reavivar a obra paterna com novas interpretações. Selecionou as canções, fez os arranjos e entrou em contato com os irmãos, Danilo e Nana, para que escolhessem as músicas que quisessem registrar no álbum. “O quase ineditismo de todas as gravações e a fidelidade à música dele foi o que norteou o trabalho”, garante Dori.

No repertório, havia músicas que remontavam à infância dos irmãos, canções que Dorival cantarolava quando ainda eram crianças. Segundo Dori, isso trouxe grande emoção às gravações. “Foi um disco difícil; tem muitas coisas mais próximas da nossa infância. Entram músicas mais do tempo antigo, do tempo em família. O brasileiro tem uma memória muito curta. Queríamos retomar a memória de trabalhos do velho menos conhecidos.”

Canções como “Balaio Grande” e clássicos praianos do compositor baiano estão presentes, como “Sereia”, “Rainha do Mar” e “Itapoã”. Na voz de Nana, “Francisco Santos das Flores” se torna um fado, com direito ao sotaque lusitano. Já Dori e Danilo dividem as vozes em “Roda Pião” e “Cantiga de Cego”. O disco foi gravado no Brasil, entre São Paulo e Rio de Janeiro, e masterizado em Los Angeles, onde mora Dori.

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Nos arranjos, o violão de Dorival Caymmi, com seu suingue característico, é revivido por Dori, que estudou a batida do pai para recriar o trabalho com fidelidade. “Estudei o violão como a ideia original dele. O Baden Powell tentou fazer o suingue dele no violão e falava que era muito difícil. Ele tinha uma coisa diferente, usava o dedo mínimo. Muita gente já tentou e não conseguiu esse suingue”, conta o primogênito.

Entre os outros projetos para o centenário de Dorival está em produção um livro de partituras, que virá acompanhado do relançamento de um disco de Caymmi, com canções praieiras lançado na década de 1950. E também o projeto de um álbum em que músicos baianos vão cantar músicas do Algodão – como o compositor também era conhecido – com Dori ao violão. “Não quero dar espaço pra nego querer criar demais. Quero manter esse clima do trabalho dele, violão e voz, bem simples. Isso englobaria cantoras como Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Gilberto Gil”, finaliza.

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