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ordem Barreto lança Rafa aleatória

Inspirado por Tom Zé, Rafa Barreto valoriza o aleatório em seu segundo álbum

texto Itamar Dantas

Rafa Barreto e a capa de seu segundo disco, Ordem Aleatória. Foto: divulgação

A brincadeira com as palavras no título deste texto faz referência à concepção do segundo disco de Rafa Barreto: Ordem Aleatória. As faixas não são numeradas, as temáticas são diversas e cada música tem uma assinatura diferente, tanto na questão da composição quanto na da mixagem e da pós-produção. Cada canção foi finalizada em um estúdio para garantir o contraste dentro do próprio álbum.

Essa premissa veio quando Rafa trabalhava no disco de Tom Zé, Tropicália Lixo Lógico, lançado em 2012. O tropicalista pediu a Rafa que fizesse vinhetas para a transição entre uma música e outra a partir de sons aleatórios que Tom Zé capta em seu estúdio sempre que está trabalhando por lá. “Trabalhar com o Tom Zé é uma inspiração. Quando você vê um cara de 70 e poucos anos buscando sempre inovar, acaba se perguntando: ‘Bom, eu que tenho 30 e poucos anos, o que eu vou fazer para ter um diferencial no meu trabalho?’”, conta Barreto.

Rafa Barreto já pensava no segundo disco nesse período e foi amadurecendo a intenção de fazer um disco aleatório. “O próprio Tom Zé me disse certa vez que, quando temos uma ideia, não podemos sair contando, temos de correr para ser o primeiro a realizá-la”. Com o esboço em mente, era hora de começar a compor. Pela primeira vez, Rafa se propôs ao desafio de compor letra e melodia, já que em seu primeiro álbum solo foi o letrista em apenas duas faixas. No novo disco, compôs letra e música de 10 das 11 canções, sendo uma parceria com o músico Manu Maltez.

Em cada composição Barreto buscou fazer alguma coisa diferente, que desse uma identidade àquela faixa. Em “Minorias Étnicas” tirou o baixo e colocou uma zabumba como protagonista dos graves. Já em “Veja Mais” tirou um compasso da música no meio da canção, invertendo-a. “Edifícios Residenciais” traz um sample de uma gravação feita da janela do seu quarto. “Eu fui me provocando em cada faixa. Em algumas músicas tirei o violão, que é a base do meu trabalho, e fui para a guitarra. Em ‘AltanaMira’ foi a brincadeira com as palavras e os versos”, conta Barreto.

As referências do músico passam por seu pai, Vicente Barreto, e seu violão com a batida peculiar da mão direita. “Certamente o cara que mais ouvi na vida foi o meu pai”, garante. O violão como protagonista, presente no trabalho do filho, ainda tem como influências outros músicos, como Lenine e Chico César. O álbum pode ser baixado na íntegra no site Musicoteca.

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