//seções//notas

O violino e o vibrafone

Ricardo Herz (dir.) e Antonio Loureiro promovem encontro inusitado em disco

texto Itamar Dantas

Antônio Loureiro e Ricardo Herz fazem duo incomum, unindo o violino popular ao vibrafone. Foto: divulgação

O violinista Ricardo Herz e o multi-instrumentista Antonio Loureiro se conheceram na França, em 2010. Herz morava por lá e Loureiro estava de passagem pelo país em uma turnê com seu primeiro álbum solo, que leva seu nome. Herz fez uma participação no show de Loureiro e ali nasceu o convite para a montagem de um duo de violino e vibrafone.

Mas, até para o violinista, a junção dos instrumentos era inusitada. “Eu achei meio arriscado. Nunca tinha visto. Podia soar muito ‘cabeça’”, garantiu o músico. Porém, nos ensaios, o encontro incomum se deu com naturalidade e uma série de shows da dupla se seguiu. Agora, o resultado ganha seu registro com o álbum Herz e Loureiro.

Antonio Loureiro começou a tocar bateria ainda criança e este é o instrumento com o qual desenvolveu sua linguagem musical. Também toca piano e vibrafone, tendo iniciado sua trajetória neste último há aproximadamente dez anos, durante sua formação acadêmica. “É uma possibilidade de mesclar a linguagem e a expressão do piano e da bateria de uma certa forma”, diz. Já Ricardo Herz usa o violino, tipicamente erudito, em uma pesquisa popular que marca sua carreira. ”Não se ouve com tanta frequência um violino tão expressivo, afinado e livre como o dele”, elogia Loureiro.

No repertório, colocaram composições próprias e os temas “Baião de Lacan”, de Guinga e Aldir Blanc; “Cego Aderaldo”, de Egberto Gismonti, e “Sambito”, de Léa Freire, composta especialmente para o disco. “Por Cima da Barra” é cria da parceria e “Lamento”, de Antonio Loureiro, foi composta pouco antes de uma das sessões de gravação. “Ele já apresentou a música cantando. Eu disse: vamos gravar, mas você vai ter de cantar também”, conta Herz.

Sem referências diretas para a empreitada, os músicos foram experimentando entre improvisações e ideias preconcebidas para os temas. Loureiro explica o mecanismo de trabalho: “Improvisamos e interpretamos em cima do que estava escrito. A música do Egberto não tinha partitura, por exemplo”.

Os registros foram feitos no estúdio Montiverdi, de André Mehmari, que assina a produção musical do disco. Os sons foram captados simultaneamente sob a atenção de Mehmari, que dava uma terceira opinião sobre a gravação. Tudo foi gravado em três dias. Em dois, o álbum foi mixado. “E foi lá pela madeira do chão e pelas pedras da parede da sala que eu ouvi reverberar maravilhas, encontros de sons que eu nunca tinha ouvido, provenientes do mágico amálgama das generosas sonoridades-cores resultantes do abraço feliz de dois inspirados artistas que doaram suas vidas à música”, garante Mehmari sobre o Herz e Loureiro.

  1. Ouça o CD no Deezer aqui: http://www.deezer.com/album/7798365

    | Ricardo Herz

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. “A gente pode fazer muita coisa pelo mundo afora”

    Guinga e Esperanza Spalding falam do 1º show conjunto

  2. Diálogos musicais para além-mar

    Projeto Casa de Bamba reúne os pianistas André Mehmari e Mário Laginha. Confira a entrevista

  3. “O mercado europeu de música instrumental acabou!”

    Clarinetista italiano, Gabriele Mirabassi comenta sua relação com a música brasileira

  4. Pixinguinha de roupa nova

    Novo álbum de Hamilton de Holanda reúne visões estrangeiras da obra do chorão carioca

  5. Beatles de lata e PVC

    Grupo Uakti interpreta clássicos do quarteto de Liverpool

  6. “Música Eletrônica”, de Jorge Antunes, será relançado

    Disco de Jorge Antunes lançado em 1975 será relançado pelo selo Guerssen Records

  7. Gustavo Telles: uma pata em cada canoa

    Autobiografia de Tremendão está sobre o criado-mudo do baterista da Pata de Elefante

  8. Em SP, Néctar do Groove antecipa seu segundo CD

    Banda apresentou seu jazz nordestino no Instrumental Sesc Brasil

  9. Violino francês de sotaque brasileiro

    Comemorando 15 anos de carreira no Brasil, Nicolas Krassik fala de sua relação com o país e a música brasileira

  10. “Villa-Lobos é o pai da música brasileira contemporânea!”

    Mario Adnet comenta seu novo álbum, dedicado à obra do autor de "Trenzinho do Caipira"

    1. Ricardo Herz e Samuca do Acordeon

      Duo de violino e acordeom interpreta a autoral "Novos Rumos"

    2. Vovô Manuel, por Banda Mantiqueira

      Música foi lançada originalmente no CD Terra Amantiquira, de 2006

    3. “Sempre quis desafiar os dogmas consolidados pelo tropicalismo!”

      Criado pelo baixista Munha, grupo de música instrumental mescla influências de Mahler, bossa nova e rock

    4. Zé Menezes: “Tocador de violão não tinha valor nenhum”

      Músico cearense relembra a Rádio Nacional, as orquestras e Garoto

    5. Rumos Música Coletivo – Mujangué

      Terceiro ensaio do grupo de Antonio Loureiro, Arismar do Espírito Santo, Chico Correa, Tiago de Moura e Zé Jarina

    6. Cadê o Ovo, por Mujangué

      Quinteto formado pelo Rumos Coletivo canta "Cadê o ovo, mamãe, que a galinha botou?!"

    7. Mistura e Manda, por Banda Pequi

      Choro que batiza disco de 1983 de Paulo Moura ganha versão de big band pelo grupo goiano

      1. Série Instrumento: Violão

        Seleção lista interpretações de Dilermando Reis, Rosinha de Valença, Vera Brasil, Geraldo Vespar e Sebastião Tapajós

      2. Série Instrumento: Baixo

        Playlist reúne os titulares do ritmo Luizão Maia, Luiz Chaves, Liminha, Jamil Joanes e Arthur Maia

      3. Série Instrumento: Bateria

        Com os craques do ritmo João Barone, Milton Banana, Edison Machado, Zé Eduardo Nazário, Nenê e Chico Batera

      4. “O diferencial do Paulinho Nogueira eram os acordes”

        Ele começou sua carreira como desenhista de publicidade e, anos depois, assumiu o violão profissionalmente. Juju Nogueira recorda a trajetória do pai

      5. Especial Jacob do Bandolim

        A carreira de um dos instrumentistas mais originais surgidos no Brasil. Por Carlos Careqa

      6. Sons que fizeram o som do Duofel

        Genesis, Los Indios Tabajaras, Pink Floyd e Baden Powell estão na lista de Luiz Bueno e Fernando Mello

      7. Hector Costita homenageia Astor Piazzolla

        Em show no Auditório Ibirapuera, músico argentino revê carreira e homenageia o renovador do tango

      8. Sem bandleader

        O rock instrumental brasileiro, de Os Incríveis a Pata de Elefante e Macaco Bong

      9. Hermeto Pascoal no Auditório Ibirapuera

        Hermeto Pascoal e Grupo realizaram apresentação recheada de improvisações

      10. A música de Paulinho da Viola pela Escola do Auditório Ibirapuera

        Cinco formações da Escola interpretaram músicas do sambista e de outros artistas brasileiros