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O sotaque americano da bossa nova

Em novo álbum, Stacey Kent apresenta novas composições em meio a clássicos bossa-novistas

texto Itamar Dantas

A bossa nova segundo Stacey Kent em The Changing Lights. Foto: divulgação

Stacey Kent é norte-americana, mas a sua relação com a música brasileira é longa. Quando tinha 14 anos de idade e nem sonhava em cantar, a jovem ouvia discos de João Gilberto e aquelas canções já a fascinavam. Em seu novo álbum, The Changing Lights, o décimo de sua carreira, a cantora revisita clássicos da bossa nova e apresenta canções inéditas.

The Changing Lights é parte da sensibilidade daquela moça. É simplesmente um ritmo que dá um sentido de esperança, que vai para adiante, que traz alegria imediata mas, ao mesmo tempo, ligada a uma melodia suave, doce. Eu gostava muito dessa mistura”, conta Kent.

Depois de gravar o álbum com Marcos Valle,  Marcos Valle e Stacey Kent – ao Vivo, lançado em 2013, Stacey Kent tem intensificado ainda mais a sua relação com o Brasil. Ficou amiga de Valle e de Roberto Menescal, com quem conversa quase diariamente. A afinidade e os assuntos seguem para outros gostos afins dos músicos: “Falo com eles o tempo todo. Falo com ‘Menesca’ sobre a mãe natureza. Ele me fala sempre das suas inspirações, um homem com um coração tão aberto, generoso. Eu não conheci Jobim pessoalmente, mas posso senti-lo bem perto desse universo”, garante a cantora.

LEIA TAMBÉM: MARCOS VALLE COMEMORA 50 ANOS DE CARREIRA COM DISCO AO VIVO

 

O álbum conta com três composições inéditas e várias regravações de clássicos bossa-novistas. Da nova safra, fruto da parceria do marido e saxofonista Jim Tomlinson com o poeta português Antonio Ladeira, aparecem as canções “A Tarde” e “Mais Uma Vez”. Já com o poeta e escritor japonês Kazuo Ishiguro, Tomlinson compôs “The Summer We Crossed Europe in the Rain” e “Waiter, oh Waiter”. Do acervo brasileiro, o “Samba de Uma Nota Só”, de Newton Mendonça e Tom Jobim, recebe interpretação em sua versão em inglês, “One Note Samba”.

Também estão presentes “Insensatez”, interpretada em inglês ["How Insensitive"], de Vinicius de Moraes, Norman Gimbel e Tom Jobim; “The Face I Love”, de Paulo Sérgio Valle, Pingarrilho, Norman Gimbel e Marcos Valle; “Like a Lover”, de Nelson Motta, Alan Bergman e Dori Caymmi; e “The Happy Madness”, de Gene Lees, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. “O Bêbado e a Equilibrista” ganha uma versão instrumental e “O Barquinho”, de Menescal e Ronaldo Bôscoli, recebe a interpretação da cantora em português. “Essas canções são bem universais. As pessoas gostam dessa mistura, das canções novas e das canções que já conhecem bem. Passamos por 26 países e o disco tem sido muito bem recebido. As pessoas querem compartilhar essas histórias comigo”.

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