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O primeiro voo autoral de Badi Assad

Cantora e violonista fala de seu álbum Amor e Outras Manias Crônicas

texto Itamar Dantas

A cantora, compositora e violonista Badi Assad, que lança seu 11º álbum, Amor e Outras Manias Crônicas. Foto: divulgação

Seis anos depois do lançamento de seu último disco (Wonderland, 2006), Badi Assad volta aos palcos com novo álbum, Amor e Outras Manias Crônicas, uma proposta diferente daquela de seus trabalhos anteriores, vinda de uma Badi que enxerga o mundo de outra maneira. Afinal, um dos motivos de sua “ausência” nesses anos se chama Sofia, a primeira filha da cantora, nascida em 2007.

Quando Sofia veio ao mundo, Badi se mudou para sua cidade natal, São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Lá, a artista teve um intenso retiro criativo. Compôs cerca de 150 músicas em apenas dois anos, e volta agora com o resultado de sua “imersão em si mesma”, como ela define o álbum. “Essa coisa mais popular aparece porque eu compus de forma mais simples. E essa simplicidade apareceu por conta da maternidade. Eu conheci essa coisa de ficar ali só olhando o bebê, trocando fralda, limpando cocô e se sentir satisfeita.”

Com todas as composições de sua autoria (exceto uma, parceria com Pedro Muniz), o disco é lançado pelo selo YB Music e distribuído pelo Núcleo Contemporâneo. Para dar forma ao novo trabalho, Badi convidou os músicos Guilherme Kastrup e Márcio Arantes, que assinam a produção e a direção musical, ao lado da cantora.

Em um bate-papo com o Álbum, Badi fala do novo projeto, conta o que mudou com a maternidade e o que mais vem por aí.

ÁLBUM – O que há de novo nesse trabalho?
BADI ASSAD – É o primeiro álbum essencialmente autoral. Nos outros discos, eu tinha uma ou outra música de minha autoria. Neste, as músicas e as letras são minhas. Só tem uma parceria, que é com o Pedro Muniz. Em 2007, quando a Sofia nasceu, fomos para São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Lá eu tive silêncio e consegui me ouvir. A criatividade aflorou muito forte e foi nesse processo que eu compus mais de 150 músicas em menos de dois anos. Então, é um disco muito visceral.

Como se deu a escolha dos produtores?
Eu já tinha trabalhado com o Guilherme Kastrup, não como produtor, mas como músico (percussionista e baterista). Quando ele trabalhou comigo, o produtor era o Rodolfo Stroeter (álbum Verde, de 2004). Já o disco posterior, Wonderland (2006) foi produzido pelo Jaques Morelenbaum. Até então, eu tinha trabalhado com produtores que até têm essa veia popular, mas são mais ligados à música instrumental. Com eles, havia essa tendência de privilegiar o meu instrumento, o violão. Agora, nós não demos preferência a nenhum instrumento específico, mas às músicas, que são mais populares mesmo. Dei muita liberdade a esses dois músicos incríveis (Guilherme Kastrup e Márcio Arantes), para criarmos juntos esse produto.

E o resultado é mais pop?
Eles souberam ler muito bem o que eu estava buscando. Eu me sinto muito confortável na vanguarda, no que não é comum. Eles leram isso muito bem também. Por exemplo, a música “Apimentados Momentos” foi inicialmente inspirada em um groove da Nação Zumbi. Mas foi para outro lugar, ficou muito forte. Nós temos feito ela fora do país e as pessoas se emocionam muito.

Você foi para o interior durante esse tempo e agora é mãe. Como isso se reflete no álbum?
Essa coisa mais popular vem porque eu compus de forma mais simples. Essa simplicidade apareceu por conta da maternidade. Eu conheci essa coisa de ficar ali só olhando o bebê, trocando fralda, limpando cocô e se sentir satisfeita. Meus amigos me perguntavam: “Você não sente falta da vida cultural, de assistir televisão?” Não! A televisão é ela. Fiquei embasbacada com esse milagrezinho andando. E isso acabou se refletindo na música.

Quais são os próximos passos?
Esse trabalho vai ser lançado na Europa no primeiro semestre do ano que vem e depois nos Estados Unidos. Eu já tenho engatilhado um próximo projeto, que vai ser um álbum infantil. Porque, dessas 150 músicas que eu compus, metade foi para a minha filha, Sofia. Pretendo começar a gravar logo para lançar em outubro do ano que vem. A produção está muito fértil. Eu fiquei ausente por um tempão. Agora voltei, né?

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