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O jazz com baião de Antonio Adolfo

Finas Misturas, novo álbum do pianista, mescla standards do jazz a ritmos brasileiros menos conhecidos no exterior

texto Itamar Dantas

Antonio Adolfo mescla em novo disco standards do jazz e música brasileira. Foto: divulgação

Radicado nos Estados Unidos desde 2007, o pianista, arranjador e compositor Antonio Adolfo acaba de lançar por lá seu mais novo álbum, Finas Misturas, pelo selo AAM Music, com distribuição no Brasil pela Sala de Som Records. No disco, Adolfo promove um diálogo com ritmos da música brasileira e standards do jazz, de compositores como John Coltrane, Keith Jarrett, Dizzy Gillespie e Bill Evans.

Em meio aos clássicos do ritmo norte-americano, há também quatro temas de sua autoria. Em suas misturas, o álbum passeia pelo baião, pelo calango, pela toada e pela quadrilha, ritmos menos conhecidos que a bossa nova no exterior e com os quais Adolfo trabalha semelhanças pouco exploradas com os temas de jazz. “Acho que a combinação deu certo. Por exemplo, se o ouvinte não souber que são músicas compostas por músicos do jazz americano, vai achar que são bem brasileiras: ‘Memories of Tomorrow’, de Keith Jarrett, é uma autêntica toada; ’Giant Steps’, de John Coltrane, é uma quadrilha. E, quanto às minhas músicas, naturalmente, há uma interação desses diferentes estilos, não somente os brasileiros, como o blues e a harmonia jazzística, em alguns momentos”, garante o músico.

Nos Estados Unidos, Adolfo mantém uma escola em Hollywood, Flórida, e divide sua agenda entre shows e workshops relacionados ao ensino de música brasileira. Seu novo álbum, lançado por lá em março, está entre os mais tocados nas estações de jazz norte-americanas. Entre os motivos de permanecer nos Estados Unidos, Adolfo destaca as diferenças de mercado para sua música. “Amo o Brasil, mas tenho sentido que minha música (a música que toco, arranjo e componho) tem sido muito bem aceita e respeitada por aqui. Meu novo CD, Finas Misturas, está há 11 semanas e meia entre os mais tocados nas estações de jazz, no meio de grandes expoentes do estilo. Sei que isso poderia acontecer no Brasil, como já foi na época da bossa nova, dos Festivais”, desabafa.

O piano e os arranjos de Antonio Adolfo sempre estiveram nos meandros mais importantes da música brasileira. Na década de 1960, participou do Trio 3D, um dos ícones do período em que o ritmo brasileiro era dominado pelos grupos instrumentais, ao lado de Zimbo Trio, Jongo Trio e Tamba Trio. No período dos festivais foi, ao lado de Tibério Gaspar, compositor da música “Br-3″, defendida por Tony Tornado e campeã do Festival Internacional da Canção, de 1970. Com Tibério Gaspar, compôs “Sá Marina”, sucesso de 1968 de Wilson Simonal revivido por Ivete Sangalo em 1999. Além de seus discos autorais, teve participação em álbuns de diversos artistas, como Angela Ro Ro, Jorge Ben Jor, Edu Lobo e Nara Leão. Seu álbum, Feito em Casa, de 1977, lançado pelo selo próprio Artezanal, é considerado um marco dos discos independentes no Brasil.

Além de seu piano, o álbum de Adolfo traz a participação dos músicos Claudio Spiewak (violão), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão) e Jorge Helder (baixo). Entre junho e julho, o músico vem ao Brasil para lançar o disco, com datas e locais a ser confirmados.

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