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Novo álbum de Joyce Moreno chega ao Brasil

Lançado no Japão em 2012, álbum de inéditas ganha versão nacional

texto Itamar Dantas

A cantora e compositora Joyce Moreno e a capa de seu novo álbum, Tudo, lançado agora no Brasil. Fotos: divulgação

Joyce Moreno era apenas Joyce quando iniciou a carreira e lançou seu homônimo primeiro álbum, em 1968. Cantora, compositora e violonista, conquistou rapidamente  espaço no mercado fonográfico. Mas foi depois do sétimo disco, em 1980, que despontou com um sucesso que lhe deu visibilidade nacional, “Clareana”, de seu álbum Feminina (EMI-Odeon).

Primeiro álbum de canções de sua autoria desde 2004 – nesse período, lançou oito discos, e há mais de 35 em sua bagagem –, Tudo foi lançado em 2012 no Japão pelo selo Omagatoki e agora chega ao Brasil pela gravadora Biscoito Fino. O disco foi produzido com o marido, Tutty Moreno, e conta com a participação de Zé Renato, Alfredo Del-Penho, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda.

Nos últimos anos, a cantora tem realizado turnês pelo exterior, incluindo Japão, Europa e Estados Unidos. Depois de se apresentar em Nova York e Lisboa entre maio e junho deste ano, Joyce traz ao Sesc Belenzinho/SP nos dias 21 e 22 de junho o repertório de seu álbum de 1980. Em relação à sua visibilidade em território nacional, desabafa: “O Brasil tem uma situação estranha na mídia e na indústria: vejo um público obrigado a engolir o que lhe é servido, música de qualidade abaixo da crítica, e muita gente com menos de 30 anos que não tem a menor ideia da grandeza da música brasileira, que é nossa expressão cultural de maior visibilidade no mundo”.

Em entrevista ao Álbum, a cantora fala de seu novo trabalho e de suas relações musicais no Brasil e no exterior.

ÁLBUM – Por que a demora de um ano entre o lançamento no exterior e no Brasil?
JOYCE MORENO – Eu tinha outros projetos na fila que precisavam sair antes. Na verdade, chegamos a fazer uma pesquisa com o público sobre qual CD deveria sair aqui em 2013. Fizemos votações virtuais e físicas, estas com votos depositados em urnas depois dos shows onde eu mostrava o repertório inédito do Tudo e o do Rio, disco que fiz em 2011 com canções sobre a minha cidade, e pelo qual também tenho imenso carinho. Tudo venceu a pesquisa com cerca de 90% dos votos, o que para mim sinaliza certo cansaço do público com tantas regravações. As pessoas querem ouvir coisas novas, querem repertório inédito.

Considerando os vários países por onde você passa, onde sua música tem maior visibilidade? No Brasil, a visibilidade é menor do que no exterior?
Posso dizer que o Japão tem sido um grande parceiro: são 25 anos de relacionamento estável… Mas a Europa e os Estados Unidos também não decepcionam… Já o Brasil tem uma situação estranha na mídia e na indústria: vejo um público obrigado a engolir o que lhe é servido, música de qualidade abaixo da crítica, e muita gente com menos de 30 anos que não tem a menor ideia da grandeza da música brasileira, que é nossa expressão cultural de maior visibilidade no mundo. Não tem ideia simplesmente porque não conhece, nunca ouviu nem sabe que existe, não tem o direito de escolha. Esse é o motivo pelo qual tenho me engajadado na criação e apresentação de programas educativos de TV que mostram a música popular brasileira às escolas municipais. Tenho feito várias séries com a Multirio sobre isso. Se uma criança dessas escolas se interessar, já valeu a pena!

Como se deu a produção do novo álbum?
Foi tudo muito simples. Uma vez definido o repertório, todo inédito e composto por mim, foi só reunir os músicos que já tocam habitualmente comigo nas turnês que faço pelo mundo. Gravamos em três dias o CD todo. Usamos bastante a voz humana como recurso para dar um colorido a certas canções – daí o uso, em duas faixas, de arranjos vocais, feitos por Mauricio Maestro, com sentido quase orquestral, e participações como a de Zé Renato, na faixa “Dor de Amor É Água”, e do coletivo Segunda Lapa, formado pelo ‘creme do creme’ dos jovens sambistas cariocas, na faixa “Puro Ouro”.

E qual é a Joyce que se deixa escapar nas canções autorais do álbum? Alguma canção específica que você destaca?
Gosto de todas elas, são muito diferentes entre si, mas posso citar a faixa de abertura, “Boiou”, um galope nordestino-jazzy, cuja letra brinca com os vários sentidos para uma mesma palavra; e a faixa de encerramento, “Tudo”, que fala sobre tolerância, artigo que anda muito em falta no mundo: “Tudo é relativo/tudo tem motivo/tudo tem perdão… Tudo é uma canção!”.

  1. Quando terá o próximo show de Joyce em São Paulo? Gostaria de ir. Aguardo retorno!

    | Sueli

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