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New York Youth Symphony Jazz Band faz show em SP

Henrique Carneiro, trompetista brasileiro que integra a banda, fala ao Álbum sobre sua experiência

texto Itamar Dantas

Na foto, o diretor Matt Holman comanda a New York Youth Symphony Jazz Band. Foto: divulgação

A New York Youth Symphony Jazz Band se apresenta no Auditório Ibirapuera no dia 18 de março. No repertório, a big band exibe suas versões para temas eruditos de Verdi, Chopin e Bizet e composições e arranjos do trombonista e educador Robin Eubanks, sob a direção artística de Matt Holman.

A banda é formada por 17 jovens músicos com idade entre 12 e 22 anos – entre eles o trompetista brasileiro Henrique Carneiro, de 20 anos, que integra a turma do programa de jazz band. Em entrevista ao Álbum, o músico fala sobre a oportunidade de entrar para a New York Youth Symphony Jazz Band e suas perspectivas e percepções em relação ao jazz no Brasil e nos Estados Unidos.

ÁLBUM – Em primeiro lugar, conte um pouco de sua formação.
HENRIQUE CARNEIRO – Comecei a estudar trompete na Graded School [escola internacional no bairro do Morumbi, em São Paulo/SP] aos 13 anos. Naquela época, não tinha muita consciência de que eu iria levar a música a sério, mas, lembrando bem, sempre fui uma pessoa musical, com certa facilidade de percepção tonal e de memorização de melodias. Meu primeiro instrumento foi a bateria, mas, quando surgiu uma oportunidade para que eu entrasse na banda de jazz da Graded, comecei a levar o trompete muito mais a sério. Hoje estudo prática de trompete, há dois anos e meio, na faculdade The New School, em Nova York, onde comecei também a tocar piano. Paralelamente, faço um curso de graduação em ciência cognitiva e psicologia.

Como surgiu a oportunidade de integrar a New York Youth Symphony (NYYS)?
A jazz band é um dos projetos que fazem parte da New York Youth Symphony, organização que também conta com programas como orquestra sinfônica, composição e música de câmara. Tive amigos que participaram da NYYS Jazz Band em anos anteriores e falaram muito bem do programa. Ele é aberto a qualquer pessoa com idade entre 12 e 22 anos que mora nos estados de Nova York, Connecticut e Nova Jersey. Essa propaganda de boca a boca foi o que me influenciou a fazer o teste.

O que essa experiência soma à sua trajetória como músico?
A experiência de integrar a NYYS Jazz Band induz crescimento musical de várias formas. Uma delas é a oportunidade de nos apresentarmos em palcos muito importantes e especiais, como o Allen Room e o Dizzy’s Club, que fazem parte do Jazz at Lincoln Center, sem falar na experiência que teremos quando estivermos no Auditório Ibirapuera. Outra oportunidade oferecida pela NYYS é o intercâmbio educacional e prático que ganhamos com vários artistas e educadores convidados, como David Berger, John Riley, Jon Faddis, New York Voices, Tony Kadleck e Robin Eubanks. Estou me esquecendo de vários!

Você pretende voltar ao Brasil para trabalhar futuramente?
Adoro o Brasil e, sempre que venho de férias – pelo menos duas vezes por ano –, toco em bares de jazz em São Paulo, como o São Cristóvão Bar e o Madeleine, na Vila Madalena, ou o JazzB, na Rua General Jardim. Tenho vários amigos músicos de primeira qualidade que moram em São Paulo, então tento me apresentar aí o máximo que dá. Eu também penso em trabalhar, no Brasil, com educação musical em algum ponto da minha vida.

Poderia descrever a sua percepção das diferenças de mercado para o jazz nos EUA e no Brasil?
Acredito que haja o mesmo interesse por jazz nos dois lugares e identidades culturais/étnicas parecidas, que são ideais para uma população de diversa expressão artística. No Brasil, ainda que tenhamos alguns dos melhores músicos do mundo, músicos de qualidade são escassos quando comparamos aos Estados Unidos. Creio que seja por causa da total falta de incentivo às artes nas escolas públicas brasileiras. Cruzar o caminho com um instrumento erudito no Brasil é algo muito mais raro do que deveria ser, especialmente para crianças. Dos poucos que conseguem saem músicos excepcionais, alguns com os quais eu sonho em conseguir emular.

Como a tradição musical brasileira o influencia (seja na NYYS, seja em outros projetos)?
Naturalmente, como nasci numa família brasileira – meus pais são bem musicais, mesmo que achem que não –, cresci escutando, entre outras coisas, uma boa dose das melodias de Chico Buarque, João Gilberto, Tom Jobim, Hermeto Pascoal, chorinhos, Paralamas do Sucesso, e a lista continua. Tudo de que gosto bastante me influencia em maneiras que não sei muito bem descrever em palavras. Porém, sempre tento notar de alguma forma o que há de parecido em estilos e artistas musicais de que gosto, por mais abstratos que esses elementos conectivos sejam.

SERVIÇO
sexta 18 de março de 2016
às 21h
duração: 90 min (aproximadamente)
ingressos: Gratuito. Distribuição de ingressos na bilheteria do Auditório, uma hora e meia antes da apresentação. Limite de dois ingressos por pessoa. Sujeito à lotação da casa.
classificação indicativa: livre para todos os públicos

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