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Nascimento parcelado

Mês a mês, o violeiro Hugo Linns apresenta duas músicas de seu terceiro álbum

texto Itamar Dantas

Hugo Linns passeia entre a música, a palavra e a fotografia em novo trabalho. Foto: Olga Wanderley/divulgação

Em seu terceiro álbum, o violeiro pernambucano Hugo Linns transporta sua música entre os sons, a poesia e a fotografia. Em A Solidão do Sol em Cinzas do Ar, Linns apresenta duas músicas inéditas por mês somente com as cordas de sua viola, às vezes duplicadas, distorcidas e sintetizadas com pedais de efeitos.

Paralelamente, uma poesia de sua autoria e uma fotografia de Olga Wanderley são apresentadas em seu site. As duas primeiras músicas já estão disponíveis para audição: “O Cais” e “Rêveur”. O projeto faz parte do programa Rumos Itaú Cultural e tem como escopo a composição de dez músicas inéditas com suas respectivas poesias e fotografias que serão disponibilizadas nos próximos cinco meses.

Em entrevista ao Álbum, o músico fala sobre o novo trabalho.

ÁLBUM  Como você chegou ao conceito do trabalho? Por que liberar as músicas em etapas?
HUGO LINNS – Comecei a pensar neste trabalho e no conceito dele logo após a gravação do meu segundo álbum, Vermelhas Nuvens, antes mesmo de entrar no Rumos. Ele estava no campo das ideias e agora está se tornando realidade. Sempre fui muito inquieto artisticamente, então depois de dois álbuns em que a visão foi sempre para “fora” senti que já estava preparado para uma busca mais pessoal, para imagens da minha história, lembranças por vezes alegres e por vezes não, numa procura sonora para minha história musical e de vida. Com o apoio do Rumos Itaú Cultural estou neste processo, transformando A Solidão do Sol em Cinzas do Ar em sons. As músicas são liberadas em etapas porque estão sendo compostas mês a mês. A cada mês vou compor duas músicas e disponibilizá-las para audição no meu site e na minha página no Soundcloud, num total de dez que farão parte dessa construção musical.

>> OUÇA A PLAYLIST “VIOLAS MARRUDAS”

Por que resolveu incluir as imagens e as palavras ao projeto musical?
Essa ideia surgiu depois da seleção no Rumos. Sempre gostei de poesia, tenho muita coisa escrita guardada e também sempre gostei de imagens, mas nunca havia tido oportunidade de uni-las ao meu trabalho artístico como um todo, gerando uma significação mais ampla. A poesia nasce no momento da música e vem de imagens interiores completamente conectadas ao que sinto do som. Quando pensei em imagens, resolvi chamar a fotógrafa que me acompanha desde o começo do meu trabalho com viola, Olga Wanderley, e juntos decidimos a concepção, a ideia da foto para cada música.

Nas duas primeiras músicas, você fala de coisas abstratas, mas que perpassam pela solidão, pelo refazer. Para onde caminha o restante do trabalho?
O caminho será dessa vivência entre o ser único (pessoal, musical) que renasce e pulsa em relação ao sol, que está sozinho, porém inserido numa perspectiva holística em relação ao todo em pequenos fragmentos. A busca é sempre expressar por meio da viola a experiência vivida ou sonhada.

Como se dá a construção sonora dessas imagens abstratas?
Desde muito jovem fui contemplativo, sempre imaginei histórias. Depois veio a música, que me possibilitou contar as histórias através do som. A partir daí, o som é minha matéria-prima para criar histórias, contos, sonhos. Mas o grande responsável por tudo isso é o tempo, principalmente o que faz refletir, aquele em que você para e olha para coisas do mundo, para você mesmo. É desse tempo “suspenso” que surge meu trabalho.

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