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“Não é um projeto de resgate!”

Siba mistura lado elétrico e tradicional em nova proposta de show, Azougue Vapor

texto Itamar Dantas

João Limoeiro (esq.), Siba e João Paulo, poetas que dão vida ao Azougue Vapor. Foto: José de Holanda

No último álbum de Siba, Avante (2012), sua guitarra foi protagonista: o músico apresentou um som mais elétrico. Em 2014, ele inicia o ano com um novo projeto de shows, Azougue Vapor, em que destaca outra de suas facetas: a das tradições poético-musicais da Zona da Mata de Pernambuco.

Em Fuloresta do Samba, disco de 2003, Siba descortinava esse universo mais tradicional, indo da ciranda ao maracatu. Em Azougue Vapor, ele se propõe a fazer uma mistura entre os dois universos, de Avante e Fuloresta. Para isso, convidou dois mestres do gênero da região: João Limoeiro (cirandeiro de Carpina/PE) e João Paulo (mestre de maracatu de baque solto de Nazaré da Mata/PE). A proposta não é fazer música tradicional, mas levar a poética da Zona da Mata a uma zona de desconforto. “Não é um projeto de resgate, é para mudar. É para levar essa poética da rua para o palco, isso altera muito o texto, a poesia”, conta o ex-Mestre Ambrósio.

Depois de ser personagem ativo na poética da Zona da Mata pernambucana, hoje em dia é difícil para Siba conseguir ir até lá para desenvolver esse tipo de trabalho. “Eu não posso ir tanto na Mata Norte cantar maracatu. Então, com o projeto todo mundo acaba saindo do lugar, e nós mudamos os espaços”, garante.

A banda que acompanha os cantadores é formada por Caçapa (PE) na guitarra, Leandro Gervázio (PE) na tuba, Mestre Nico (PE) na percussão e Antonio Loureiro (MG) na bateria. No repertório, poesias de Siba e dos cantadores João Limoeiro e João Paulo. O primeiro show de Azougue Vapor já tem data e local: 3 de março, em Brasília. Paralelamente, Siba trabalha em álbum que deve ser lançado em 2014 e segue com a turnê do mais recente, Avante.

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