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Música de SP revista por Careqa e convidados

CD Ladeira da Memória traz novas versões para músicas paulistanas dos anos 1980 e 1990

texto Itamar Dantas

Vânia Abreu, Chico Buarque e Carlos Careqa, Tatiana Parra, Celine Imbert, Nei Lisboa, Mario Manga, Mariana Aydar, Careqa e Marcelo Pretto. Fotos: reprodução

Carlos Careqa não participou do que se convencionou chamar de vanguarda paulista, mas recebeu influências diretas da sonoridade que agitava um dos cenários de São Paulo nos anos 1980. Catarinense, ele foi criado em Curitiba e na década de 1980 se dividiu entre o Brasil e o exterior. De volta ao país, fixou residência em São Paulo nos anos 1990, onde definitivamente deu rumos à sua carreira fonográfica. Em seu álbum de estreia, Os Homens São Todos Iguais (1993) – com participações de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção nas canções “Não Dê Pipoca ao Turista” e “Alles Plastik”, respectivamente – já demonstrava a importância do “som paulistano”.

Depois de lançar seu trabalho autoral mais recente, Made in China (Selo Barbearia Espiritual Discos), no início deste ano, Carlos Careqa está a frente da produção do álbum Ladeira da Memória, que reúne novas versões para músicas que integraram o cenário alternativo da produção fonográfica paulistana entre os anos 1980 e 1990. Na proposta, a obra de vanguarda de Itamar Assumpção, Grupo Rumo e Premeditando o Breque está presente. E segue por outros artistas que também habitaram o cenário independente da capital, como o próprio Careqa, Mauricio Pereira, André Abujamra e o gaúcho Nico Nicolaiewsky.

A princípio, o disco seria uma seleção de músicas que influenciaram Careqa, como um “best of” sugerido por ele em novas interpretações. Mas, em meio à produção do álbum, o tema do cenário alternativo de São Paulo predominou. “Achei que seria um pouco arrogante fazer um disco com ‘obras-primas’ selecionadas por mim. E aí surgiu a possibilidade de o Chico Buarque cantar ‘Ladeira da Memória’, uma música tão influente para mim. Mesmo antes de vir para São Paulo, eu era muito ligado à música daqui”, conta Careqa.

A canção intepretada por Chico, “Ladeira da Memória”, é de  Zé Carlos Ribeiro e integra o terceiro álbum do Grupo Rumo, Diletantismo (1983). Segundo Careqa, Chico não conhecia a canção e gostou da ideia de interpretá-la. “Achei que essa música tinha muito a ver com ele. Foi uma intuição de que o timbre combinaria. O Chico, por estar no mainstream, provavelmente não teve contato. Se ele conhecia, pelo menos não me disse.”

No álbum, que será lançado oficialmente em julho pelo selo Sesc/SP, Marcelo Pretto chega para cantar “Nego Dito”, de Itamar Assumpção. Mario Manga e a filha, Mariana Aydar, interpretam “Padaria”, composição do próprio Mario Manga quando fazia parte do grupo Premeditando o Breque. Tatiana Parra dá sua versão para “A Companheira”, de Luiz Tatit, e para “A Canção das Mullheres do Harém de Lampião”, de Nico Nicolaiewsky. Celine Imbert mostra “Pan y Leche”, de Mauricio Pereira. Vânia Abreu solta a voz em “Sonora Garoa”, do Passoca. Nei Lisboa canta “Alma Não Tem Cor”, de André Abujamra, e o próprio Careqa traz uma música de sua autoria, “Acho”, de seu disco de estreia, citado anteriormente.

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