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Evento destaca novos nomes da música de concerto

Com curadoria de Felipe Scagliusi, Música de Agora será realizado de 21 e 24 de junho

texto Patrícia Colombo

O pianista Felipe Scagliusi, curador do evento Música de Agora. Foto: reprodução

A partir do próximo dia 21 de junho, o Itaú Cultural será o lar do Música de Agora, evento inédito que propõe um encontro de novos compositores da música de concerto no Brasil. Além de apresentações dos nomes atuais do gênero, debates acerca do tema serão realizados durante quatro dias.

A curadoria fica a cargo do pianista Felipe Scagliusi, que se inspirou nos projetos do Itaú Cultural na hora de desenvolver o Música de Agora. “Há tantos compositores escrevendo e instrumentando coisas novas… E eles têm muito pouco espaço, já que essas coisas geralmente só acontecem em ambiente acadêmico – onde rolam também de um jeito que acaba distanciando o trabalho da brincadeira que a coisa é, acaba ficando tudo muito sério quando no fundo é apenas uma experimentação”, ele conta, em entrevista ao Álbum. Felipe ainda acrescenta que uma das questões que o motivou a levar o projeto adiante é a realidade difícil dos músicos que trabalham com esse tipo de sonoridade. “Os espaços de concerto geralmente não dão oportunidade aos novos compositores, é superdifícil”, comenta. “Se a carreira de intérprete já é complicada, acredito que a de compositor seja ainda mais.”

O Música de Agora acontece de 21 a 24 de junho, nas salas Itaú Cultural e Vermelha, situadas na sede do instituto, em São Paulo. A cada noite, dois compositores participam de um bate-papo com o público sobre suas obras, que em seguida são interpretadas por outros artistas no mesmo palco. Além do próprio curador, participam Felipe Lara, Marcus Siqueira, Mauricio De Bonis, Nelson Rubens Kunze, Gustavo Fontes, Rodrigo Lima, o grupo International Contemporary Ensemble (ICE), Sérgio Rodrigo Lacerda, Thiago Cury, Evaldo Mocarzel, Irineu Franco Perpétuo e Marcílio Onofre. Segundo Scagliusi, trabalhar no evento tem lhe acrescentado conhecimento. “Também tenho curiosidade. É bacana não só para mostrar esses trabalhos ao público, mas também a quem está organizando. Estou, nesse processo, descobrindo o que as pessoas estão escrevendo hoje em dia e como está funcionando.” Veja aqui a programação completa.

Trajetória nas teclas

Com o amor pelo som das teclas florescido paulatinamente, seguiu com os estudos. Todavia, na hora do vestibular, foi cursar regência orquestral na USP, pelo interesse em ampliar os horizontes. “Na adolescência, passei por uma crise com relação à vida de pianista, por ser algo mais fechado. Então, eu queria contato com pessoas. Fiquei imaginando que com orquestra eu poderia ter uma vida musical mais alegre [risos]. Porém, ainda assim levava a vida de pianista e estudava o dia inteiro. Aí, quando acabou a USP, fui para Nova York fazer um mestrado em piano mesmo e segui com isso.”

Tendo conseguido articular bolsas de estudo, após quatro anos e meio na Big Apple mudou-se para a Europa e, desde 2007, permanece na conexão Paris-São Paulo. “No exterior existe uma estrutura de conservatórios e professores e uma tradição de ensino muito sólidas”, alega. “Funciona quase que como um treinamento de atleta. Aqui no Brasil tem uma coisa mais relaxada. Mas está melhorando. Há cada vez mais orquestras, mais temporadas. Porém, ainda falta estrutura para a formação do músico. É muito difícil, porque quando a pessoa sai do país acaba tendo de correr atrás do tempo perdido.”

O primeiro disco de Felipe foi lançado em abril de 2010 em mais de 50 países (pelo selo britânico Avie Records) e conta com peças de Robert Schumann. Neste ano, o pianista fará recitais e concertos em Paris, Roma, Helsinque, Tallin e Londres, encerrando como solista da Filarmônica de Israel, em Telaviv.

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