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Música clássica para todos

“Temos que mostrar para as novas gerações que é possível escutar sem cair no tédio”, diz o clarinetista belga

texto Patrícia Colombo

Em passagem pelo Brasil no mês de maio, o simpático clarinetista belga Ronald Van Spaendonck deu uma master class aos alunos da Escola do Auditório, evento realizado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Na ocasião, ele falou ao Álbum sobre sua relação com a música clássica e a importância de familiarizar as novas gerações com esse tipo de trabalho artístico.

Para mim, clarinete é apenas um objeto para fazer música”, afirma, sob olhar mais racional. “Ele é muito bonito, mas é só para fazer música. Você tem apenas de praticar.” Nascido em 1970, Spaendonck começou a tocar o instrumento aos 13 anos. Seus pais eram professores, mas mantinham grande paixão pela música – o que serviu de estímulo ao então pré-adolescente. Após um bom tempo estudando e praticando, aos 19 anos entrou para a Orquestra Nacional da Bélgica, na qual permaneceu pouco mais de uma década. A ruptura, em 2001, o levou à carreira solo como clarinetista e ao posto de professor no Conservatório Real de Mons (em que atua até hoje).

Fiquei na ONB por 12 anos”, comenta. “Depois disso decidi escolher para onde seguir… Eu tinha de tocar com eles com mais frequência, e o diretor não estava satisfeito com o fato de eu estar cada vez mais ausente nos ensaios. Então, resolvi sair para dar aula, o que foi ótimo porque me senti mais livre. Agora sou o meu próprio chefe.” Ele ainda conta sobre sua visão acerca do ofício de integrar uma orquestra. “Pode ser ótimo ou maçante [risos]”, brinca. “Depende do programa e de quem o conduz. Às vezes participo e adoro, como no caso da Orquestra Filarmônica da Malásia. São trabalhos diferentes; se você é professor e também toca em orquestra, não fica entediado.”

Se no Brasil há um distanciamento por parte das pessoas quanto à música clássica – vista por muitos como algo inalcançável em termos de compreensão e relacionado a intelectuais com personalidades pedantes –, Spaendonck afirma que a situação não é diferente na Europa.  “Lá o público de música clássica é cada vez mais velho. Ela é vista como música chata com gente chata e triste envolvida”, diz. “Então, precisamos mudar isso. Temos de mostrar às novas gerações o que é [esse tipo de sonoridade] e que é possível escutar música clássica sem cair no tédio. Não é fácil, mas temos de fazer isso. Uma forma seria falar com a plateia antes ou depois da apresentação… Mostrar que você também é normal [risos].”

E a dúvida que fica é: quem vive de música clássica tem interesse em fugir para outros segmentos quando não está trabalhando? Para o clarinetista, é quase uma questão de necessidade. “Quando estou no carro, por exemplo, não escuto música clássica. Opto por algo mais leve e que me mude de lugar. Ouço coisas como pop ou rock, os quais não preciso me concentrar tanto para ouvir. Sou fã de Iron Maiden e Scorpions [risos].”

  1. Amo música.

    | Julio
  2. O ensino de Música deveria ser introduzido nas escolas, Com certeza a realidade de muitos jovens seria totalmente diferente.

    | Ronaldo

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