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Martinho da Vila em áudio, vídeo e partituras

SambaBook celebra o bamba em plataformas multimídia

texto Itamar Dantas

Martinho da Vila mostra caixa do seu sambabook e fala durante entrevista coletiva de lançamento do projeto. Fotos: Richner Allan

Martinho da Vila esteve em São Paulo na manhã de quinta-feira, 16 de maio, para o lançamento de seu Sambabook, projeto multimídia que chega à sua segunda edição depois de ter homenageado João Nogueira em 2012. Ao lado de Luiz Calainho, um dos idealizadores, apresentou o produto que reúne 60 partituras e cifras de canções marcantes de sua carreira, dois CDs com diversos artistas interpretando sua obra, um DVD com o registro ao vivo dos cantores e um livro discobiográfico, além de uma plataforma multimídia que engloba um portal e aplicativos para dispositivos móveis e para a circulação pelas redes sociais.

O projeto é uma iniciativa da empresa Musickeria, de propriedade de Luiz Calainho, Afonso Carvalho e Sérgio Baêta, e tem patrocínio da Petrobras, do Itaú e da Prefeitura do Rio de Janeiro, além das parcerias com o Canal Brasil e a editora Casa da Palavra. A edição do sambabook de Martinho da Vila exigiu um investimento estimado em 2,1 milhões de reais, afirmou Calainho, que também salientou a necessidade de investimentos da iniciativa privada para a realização de propostas como a de sua empresa. “Uma das grandes mudanças nos últimos tempos no Brasil infelizmente foi a pirataria, que tomou de assalto o mercado brasileiro. E se o empresário depender somente da venda desses produtos para um projeto dessa magnitude a conta jamais fechará”, garantiu.

A escolha do repertório e das canções a ser trabalhadas foi dos produtores, com poucas interferências do músico. Mesmo na seleção dos intérpretes, Martinho pouco participou. Entre os escolhidos estão Paulinho da Viola, João Donato, Ney Matogrosso, João Bosco, Leci Brandão e Pitty. ”Queriam que eu participasse e interferisse mais. Como era em minha homenagem, fui ‘escorregando’. Senão, seria uma auto-homenagem”, defendeu.

Martinho da Vila vive um momento de grande visibilidade em sua carreira. Em 2013, sua escola de samba, Vila Isabel, foi campeã do grupo especial do Rio de Janeiro; teve o primeiro disco de sua carreira (Nem Todo Crioulo É Doido, 1968) relançado há pouco pelo Selo Discobertas e agora é celebrado com o sambabook. Com 75 anos recém-completados, o sambista comentou o reconhecimento atual de seu trabalho. “Não posso reclamar muito. Trabalho bastante. Tenho um reconhecimento legal, mas também dou um bocado de sorte. O cara que é azarado não adianta, pode ser talentoso que não vai pra frente. Tem momentos em que tudo converge e a gente não sabe explicar direito. E eu acho que falei bastante que estava completando 75 anos de idade e há 45 anos eu fazia o primeiro samba-enredo na Vila Isabel, mas no fundo são coincidências”, conta o músico.

A ideia de lançar discos e partituras em homenagem a um artista específico teve início no final dos anos 1980, sob a tutela do músico e produtor Almir Chediak (1950-2003). Apesar de não ter tido um songbook de sua obra, Martinho da Vila participou de duas gravações para os discos de Chediak, quando cantou “Mestre-Sala dos Mares”, no Songbook de João Bosco (2003), e “Eu Cheguei Lá”, presente no Songbook de Dorival Caymmi (1994). Perguntado se havia conversado com Chediak sobre a possibilidade de fazer trabalho semelhante com sua obra, o sambista disse que isso nunca lhe foi prosposto.

Nos dias 31 de maio, 1º e 2 de junho, Martinho da Vila faz o lançamento de seu sambabook com apresentações no Auditório Ibirapuera, com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia entrada). Mais informações no site do Auditório Ibirapuera. Na primeira apresentação recebe a cantora Paula Lima e na noite do dia 2 o músico chega acompanhado da filha Maíra Freitas.

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