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Marco Pereira revitaliza obra de Dilermando Reis

Disco "Dois Destinos" traz arranjos modernos e improvisação às composições do violonista seresteiro

texto Itamar Dantas

Marco Pereira, referência do violão no Brasil, homenageia Dilermando Reis. Foto: divulgação

No dia 22 de setembro de 2016, é comemorado o centenário de nascimento de Dilermando Reis (1916-1977). Em homenagem à sua obra, o violonista Marco Pereira lança o álbum Dois Destinos, em que revisita a obra do violonista seresteiro.

O disco dá nova vida ao trabalho de Dilermando. No álbum, as composições foram arranjadas para o grupo formado pelo acordeonista Toninho Ferragutti, o flautista Toninho Carrasqueira, os baixistas Neymar Dias e Guto Wirtti, o baterista Sergio Reze e o percussionista Amoy Ribas, além dos clarinetistas Luca Raele e Diogo Maia. “De forma geral, o que fiz foi trazer para um ambiente mais contemporâneo as valsas e os choros do Dilermando, utilizando-me das técnicas de rearmonização, desenvolvimento dos temas, pontes contrastantes, introduções diferenciadas e também de uma boa dose de improvisação por parte de todos os músicos que colaboraram no CD”, conta Pereira.

Instrumentista e compositor com grande atuação nas rádios entre os anos 1930 e 1960, Dilermando Reis teve importância marcante na divulgação e na ampliação do repertório para violão solo no Brasil. Seus choros e suas valsas fazem parte do repertório do violão brasileiro para essa formação. A valsa “Se Ela Perguntar” e o choro “Magoado” são peças conhecidas entre violonistas tanto do Brasil como do exterior.

Com produção de Swami Jr., o disco se divide em interpretações em grupo e no violão solo. As valsas “Se Ela Perguntar” e “Flor de Aguapé” ganham interpretação solo de Marco Pereira. Outros temas, como o batuque “Xodó da Bahiana” e os choros “Caxinguelê” e “Tempo de Criança”, são executados em grupo, deixando momentos livres para a improvisação dos músicos na interação com o violão de Pereira. “A escolha do repertório do CD Dois Destinos foi feita com o intuito de obter uma sequência equilibrada das músicas, na qual o trabalho de arranjo pudesse dialogar de forma convincente com o violão solista”, diz ele.

Com relação à influência de Dilermando Reis na nova geração de violonistas, Pereira destaca as composições do músico como obras importantes para o desenvolvimento da linguagem do violão brasileiro. “[São] obras que representam um momento muito especial e criativo da música popular brasileira. Ficam hoje como uma importante referência para a história do violão no país”, ressalta. No entanto, para Pereira, a maneira de tocar de Dilermando – que usava cordas de aço nas gravações de seus discos e tinha um estilo mais brejeiro ao violão – já foi superada. “O jeito como o Dilermando tocava está um tanto quanto ultrapassado, eu diria. Não vejo de que forma isso pode influenciar uma nova geração de violonistas.”

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