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Luiz Caldas lança 12 discos em 2014

Obra inédita do pioneiro da axé music vai da bossa nova ao heavy metal

texto Itamar Dantas

Luiz Caldas tem lançado um disco por mês desde o início de 2014. Foto: divulgação

Luiz Caldas é figura conhecida entre brasileiros com seus 30 e poucos anos. Pioneiro da axé music, emplacou vários hits nos anos 1980 e 1990, como “Fricote” (1985), “Haja Amor” (1987), “Canto para o Senegal” (1987) e “Tieta” (1989), música-tema da novela homônima da Rede Globo.

Em 2010, o músico produziu dez discos, totalizando 130 músicas. Em 2013 repetiu a dose, com 120 músicas e, em 2014, está lançando um disco temático por mês desde o início do ano. O último, dedicado ao samba, chama-se Pode Sambar e está disponível para download em seu site oficial. “Até o fim do ano temos mais um disco de pop rock, um de música country para setembro, um de bossa nova para outubro, um afro-baiano para novembro e, em dezembro, uma homenagem a dez orixás”, conta o músico, que afirma ter tido, no total, 4 milhões de downloads. 

Em entrevista ao Álbum, o músico conta um pouco sobre o desafio de produzir tanto e sobre a recente experiência no universo do heavy metal em meio a esse processo.

ÁLBUM – Em 2010 você lançou 130 músicas em  discos. Como foram os resultados daquele primeiro mergulho? 
LUIZ CALDAS – Foi um desafio para mim mesmo essa proposta de colocar em prática um projeto tão grandioso e consistente para a música brasileira. Para que todos entendam melhor, vale ressaltar que essa história não foi de uma hora para outra. Eu e César Rasec, que é o meu maior parceiro nas composições, estávamos conversando sobre minha carreira quando tivemos a ideia de fazer um disco em homenagem a dez filósofos (Sócrates, Platão, Nietzsche, Kierkegaard, Cioran, Marcuse, Sartre, Marx, Kant e Schopenhauer), daí nascia o CD Melosofia, primeiro disco dessa jornada musical. Em seguida, veio uma ideia mais audaciosa, que era fazer dez discos temáticos, por estilos, de uma só vez, totalizando 130 canções inéditas. Conseguimos e o resultado desse projeto continua até hoje, mantendo, desta vez, o lançamento de um disco temático por mês. Fechamos o ano de 2013 com chave de ouro, com 120 canções inéditas. Continuamos a produção agora em 2014. Serão mais 120 inéditas. No total teremos 370 canções inéditas, fora as do CD Melosofia, que são 10. Quanto à receptividade ao trabalho, asseguro que está sendo excelente e tem me posicionado cada vez melhor na história da música. Chegamos à casa de 4 milhões de downloads. Uma vitória para quem faz com custos próprios e para quem é empreendedor da música. Esse trabalho é tão grandioso que o seu dimensionamento não foi ainda avaliado como deveria. Além de tudo isso, estou finalizando uma ópera, com César Rasec, e já selecionamos os filósofos para o Melosofia II. Tenho ainda pronto, já gravado, dois discos que não foram lançados: um de jazz, com Bill Anschell, e um de violão, com Diego Figueiredo.

Agora volta com 12 discos em um ano. Essa superprodução tenta criar um novo modelo de produção?
Não há em mim nem em meus parceiros uma preocupação em criar modelos fonográficos. Há, sim, uma vontade inimaginável para oxigenar o repertório, estabelecer uma estratégia de carreira, além de se divertir compondo sem barreiras, sem obrigações mercantis ou contratuais. O amor à música faz a canção brotar com naturalidade. Minha exigência é a qualidade. Já lançamos disco de axé music, forró, frevo trieletrizado, samba, em tupi, canções de Natal, MPB, dance, rock, heavy metal, reggae, rural, chorinho, instrumental de violão, em homenagem a dez poetas brasileiros, lambada, salsa em espanhol, brega, romântico, folclórico, pop, entre outros.

Quais são as principais diferenças entre o momento de maior sucesso na carreira e esta fase atual?
Eu diria que é a maturidade. A experiência musical aliada a um espírito calmo me possibilita andar com as próprias pernas, além de compor buscando cada vez mais qualidade nas canções. O resultado não deixa mentir.

Em 2010 você compôs um heavy metal, nicho musical conhecido por ser fechado e rival de ritmos populares, como o axé. Foi muito criticado por essa produção?
Essa rivalidade entre os consumidores dos diversos estilos de música existe, sim, mas acho que ela é mais acentuada entre os que se contentam com pouco, ou seja, para aquele que se fecha para a grandiosidade e para a diversidade musical existente no planeta. No meu caso, penso que só existem dois tipos de música: a boa e a ruim. Quanto às críticas, elas sempre acontecem, mas não irão mudar nada em nossa trajetória. Não é à toa que atingimos 4 milhões de downloads.

Quais são os temas dos álbuns que ainda serão lançados até o final do ano?
Lançamos neste mês de agosto o disco Pode Sambar, responsável pela marca de 4 milhões de downloads no meu site www.luizcaldas.com.br.

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