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Laya lança primeiro álbum solo

Cantora também no grupo O Jardim das Horas, ela apresenta um disco de essência tropicalista, nordestina e feminina

texto Itamar Dantas

Imagens de Laya para o disco utilizadas no clipe de “A Luz que Corta”. Fotos: Gal Oppido

Lançado pela YB Music, o primeiro disco solo da cantora Laya tem verve tropicalista e alma feminina. Francesa criada no Ceará e radicada em São Paulo há nove anos, ela mantém vínculo com a banda O Jardim das Horas – paralelamente ao trabalho solo – e também com o projeto Laya Recanta Fatal, apresentado na Virada Cultural paulistana de 2013.

Tropicalista sim, mas menos “caetânica” e mais “macaleica”, como defende o produtor Maurício Tagliari, que viu nas características do som mais ao vivo do trabalho de Jards Macalé um guia para a produção do álbum de Laya – mais ao vivo, menos planejado, de sonoridade mais quente. O contato com Tagliari ocorreu quando a cantora se apresentou em 2015 no projeto Trip Transformadores, realizado no Auditório Ibirapuera. “A ideia foi trazer um range de sonoridade, de timbragem de interpretação da Laya, não só uma boa cantora, boa intérprete, mas também uma cantora ousada, que traz um frescor para a música que a gente está fazendo no Brasil e em São Paulo”, explica o produtor.

Para a estreia em disco, Laya reuniu canções de sua autoria e músicas que narram o universo feminino em meio a transformações em sua própria vida pessoal. “Eu quis fazer o disco com músicas minhas e de outros compositores porque gosto desse trabalho de intérprete. Queria gravar uma compositora mulher. Comecei a procurar nos discos de cantoras que admiro, como Karina Buhr, Ava, Céu. Comentei com o Maurício e ele entrou em contato com a Ava: ‘Vou ver se ela não tem uma música nova’. Eles fizeram a música e ela falou que criou pensando em mim. E é uma música que também fala de ser mulher”, conta Laya sobre a canção “Diosa Pájaro” (Ava Rocha/Maurício Tagliari).

Já a faixa “A Luz que Corta” surgiu logo após uma passeata na Avenida Paulista pelos direitos das mulheres, na qual Laya e Tagliari – os compositores da música – estavam presentes. “A gente estava no movimento de passeata de mulheres na Paulista e se inspirou para escrever a letra. Isso está pulsando no nosso sangue, não tem por onde”, diz a cantora. “Sinto que temos de fazer circular o que precisa ser dito. Música não é uma coisa que a gente fica racionalizando muito. Deixa fluir.”

Também foi essa canção a primeira a ganhar um clipe, realizado a partir das fotos de Gal Oppido para o disco. O álbum foi gravado nos estúdios da YB Music entre fevereiro e agosto de 2016 e contou com a participação de vários músicos em formações diferentes, muitos deles se encontrando pela primeira vez para tocar juntos.

Participam do disco Mariá Portugal, Felipe Maia e Thomas Harres (bateria), Igor Caracas (percussão e vibrafone), Gabriel Bubu (baixo e guitarra), Jesus Sanchez (baixo), Maurício Tagliari (guitarra), André Piruka e sua banda Höröyá, Luca Raele (clarinete e piano), o cubano Jorge Ceruto (trompete), Carlos Gadelha (guitarra), Dudu Tsuda (teclados), a cantora Juliana Perdigão (clarinete e flauta), Guilherme Kafé (baixo e vocais) e Luiz Gayotto (vocais). “É um disco muito colaborativo. Tem a colaboração artística de todo mundo que participou dele”, finaliza Laya.

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