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João Omar e a obra de Elomar para violão

Maestro e filho do cantador destaca músicas do seu novo álbum, "Ao Sertano"

texto Itamar Dantas

João Omar mostra no Itaú Cultural oito obras que integram o seu álbum “Ao Sertano”. Foto: Monica Koester

João Omar apresentou nesta quinta-feira (13 de agosto) na Sala Itaú Cultural a obra completa do pai, o cantor e compositor Elomar, composta para violão solo. No show, temas registrados no seu álbum recentemente lançado, Ao Sertano.

Elomar Figueira Mello é músico autodidata. No entanto, sempre teve interesse pela cultura erudita. Com isso, compôs peças, estudos e óperas e também navegou pela construção de temas para violão. Para o maestro e violonista João Omar, a obra tem lugar de destaque nas composições para violão no Brasil. “O violão elomariano, entre os compositores para esse instrumento no Brasil, encontra lugar tão diferenciado quanto encontrou Villa-Lobos quando Andrés Segovia o considerou ‘a grande novidade para o violão no século XX’”, garante o músico.

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Entre as obras que constam do repertório do disco estão “A Labuta Sertaneza”, suíte que integra três temas que desenham uma paisagem sonora sobre a vida do trabalhador no campo, com “Trabalhadores na Destoca”, “Duvê Esse Chão Quema Meus Pé” e “Joana Vai Chiquerá Minhas Cabra”. Para João Omar, essas e as outras peças apresentadas demonstram a inspiração do pai na cultura sertaneja. “Já a partir dos títulos das peças entende-se que a maioria aflorou da imersão do compositor no casulo cultural sertanez, rico em formas e sonoridades, fonte de inspiração para que Elomar revelasse em música os encantamentos que a sua criatividade e a sua musicalidade singulares capturaram”, revela o músico em texto escrito para o novo disco.

O álbum, a princípio, se chamaria Para Além das Cantigas. João Omar tinha o interesse de mostrar, de cara, que o pai tem um trabalho mais abrangente do que o de um compositor popular de canções. Com o amadurecimento do projeto, chegou ao nome que batiza o disco, Ao Sertano. “Eu não posso dizer que ele é um compositor erudito, não. O compositor erudito tem a escola de música. O meu pai sempre foi diletante, muito autodidata. Ao passo que não posso dizer que ele é apenas um compositor popular. É difícil você encontrar um compositor que seja tão dissonante e que consiga também escrever. Raramente você vai encontrá-lo. Não se pode concentrar tanta inspiração numa pessoa só”, reflete.

No show, João Omar interpretou oito dos 13 temas da obra de Elomar para violão que registrou no disco. A apresentação fez parte do projeto Quintas Musicais e integra a programação da Ocupação Elomar, em cartaz no Itaú Cultural até o dia 23 de agosto de 2015.

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