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#Algorritmos_FilarmônicadePasárgada

Terceiro álbum da banda usa a linguagem e questões da internet como mote para as canções

texto Itamar Dantas

Filarmônica de Pasárgada posa para selfie, tema da canção “7 comentários”. Imagem: foto de Inês Bonduki sobre arte de Guto Lacaz

A banda Filarmônica de Pasárgada apresenta seu terceiro disco, Algorritmos, no Auditório Ibirapuera no dia 2 de setembro. No novo álbum, o grupo, dessa vez, discute as relações sociais a partir das estruturas apresentadas na internet.

A demora para entrar no ambiente virtual, ligar o computador, conectar-se, está representada em “Por favor, aguarde”, canção que abre o disco. Depois de carregado, o álbum navega entre aspectos distintos da realidade virtual. “A ideia do disco não era falar de coisas da internet ou só citar questões de internet. A ideia era usar a estrutura da internet pra fazer as canções. Fazer uma relação entre as questões da internet e as questões da realidade. O que tem na estrutura do amor que é parecido com a coisa da internet? Essa coisa do www, as janelas. Tem essa estrutura randômica, essa coisa aleatória”, conta Marcelo.

“Ctrl c ctrl v”, composta por Marcelo e Paula Mirhan, representa bem a proposta. Uma expressão usada por uma amiga de Paula é levada para dentro da canção, assim como os próprios Marcelo e Paula a incorporaram em seu cotidiano: “Cê acha errado?” “As músicas trazem essa estrutura da internet, que nós também usamos na nossa vida antes da internet”.

“Eu sei que vou te amar”, poesia de Vinicius de Moraes musicada por Tom Jobim, por exemplo, teve seu título desconstruído aleatoriamente e virou “Te Vou Eu Amar Que Sei”, onde Marcelo reinterpreta a ideia do personagem que ama e que sabe que irá amar para o resto da vida. Na nova composição, a questão é precisa apenas no agora: “Aqui e agora eu sei”.

Em “7 comentários”, o verso de Marcelo simula em versos uma selfie que aguarda os comentários dos amigos. A chamada diz: “Olha a selfie que eu tirei/ Alguém aí me diz/ Se eu tô triste ou tô feliz/ Se eu sô Frida ou sô celebrity/ Dois pontos e parêntesis”. Enviada para diversos compositores, Marcelo compilou as respostas em versos de sete deles. Assim, Rafa Barreto, Julinho Addlady, Tatá Aeroplano, Caê, Gustavo Galo e Cacá Machado respondem à chamada do inseguro. No álbum, os versos ganham interpretações de Guilherme Arantes, Ná Ozzetti, Tom Zé, Juçara Marçal, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik. “Essa música ficou interessante porque traz várias dicções diferentes, tanto na composição quanto nas interpretações”, diz Segreto. No show, Zé Miguel interpreta essa música e sua “Assum Branco” ao lado de Marcelo.

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O desrespeito aos homossexuais também é tratado no funk “Kiwi”, que questiona das piadas desagradáveis no jantar de família à formação das bancadas intolerantes no Congresso Nacional. Dedicada a Jean Wyllys, a letra chama o preconceituoso à mudança de postura: “Você se modifixe”. No show, a música será interpretada ao lado do convidado especial Lineker.

A Filarmônica de Pasárgada é formada pelos músicos André Teles (efeitos, processamentos em laptop), Fernando Henna (piano e acordeon), Moisés Pantolfi (bateria), Ivan Ferreira (fagote), Marcelo Segreto (vozes e violão), Migue Antar (baixo), Paula Mirhan (voz) e Renata Garcia (clarinete).

SERVIÇO
Dia: 2 de setembro de 2016
Horários: sexta às 21h
Duração: aproximadamente 90 minutos
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: livre para todos os públicos

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