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“O hip-hop não veio só para fazer festinha”

DJ Erry-G, curador do Encontro de DJs de Hip-Hop, fala do evento que começa nesta 6ª (18)

texto Patrícia Colombo

Erry-G, um dos idealizadores do Encontro de DJs. Foto: reprodução

“Hip-hop, para mim, é tudo. Aprendi o que é música, trabalho, autonomia”, explica o DJ Erry-G. “É uma escola.” O disc-jokey, cujo verdadeiro nome é Rogério Dias, é o curador da quarta edição do Encontro de DJs de Hip-Hop, que será realizada entre 18 e 24 de maio. O evento tem apoio do Itaú Cultural e parceria com o Centro Cultural Rio Verde, Centro Cultural da Espanha e a Ação Educativa.

 

Nascido na zona sul de São Paulo, nas redondezas da Cidade Ademar, Erry-G atualmente mora no Jardim Apurá e conta que se envolveu com o hip-hop no ano de 1994, quando foi convidado por amigos a integrar o grupo Face Ativa – a partir daí, passou a dedicar seu tempo e atenção à tarefa de DJ e à militância na cultura de rua. “Em 1995, eu me aproximei de um projeto que rolava em Diadema, no Centro Cultural Vladimir Herzog”, conta. “Havia estudos aos sábados. Eu não era de Diadema, mas conhecia o projeto e acabei me identificando. Discutíamos sobre quem era Malcolm X, os Panteras Negras… E aquilo abriu uma janela imensa para mim, no contexto do que era o rap e o hip-hop.”

 

Em 2008, após anos atuando na área – inclusive como sócio fundador da Zulu Nation Brasil (afiliada da Universal Zulu Nation, criada pelo norte-americano referência Afrika Bambaataa nos anos 1970), ONG que dedica atenção à articulação da cultura hip-hop nacional –, Erry-G uniu forças à Ação Educativa para desenvolver o projeto Encontro de DJs. Desde sua primeira edição, o evento tem como proposta a interação entre os quatro elementos que formatam o movimento – o break, o MC, o DJ e o grafite – e promover o encontro de profissionais da área, discutindo as possibilidades de atuação. “Há também o interesse em poder reunir o pessoal e fortalecer a ideia de discotecagem com vinil”, afirma. “Além disso, o DJ quando mexe nos toca-discos fala através das mãos, mas ele também tem sua opinião sobre mercado de trabalho, o modismo, o empreendedorismo.”

 

Erry-G argumenta que quando se fala em hip-hop, apesar do crescente interesse no assunto, ainda há preconceito no olhar e na concepção de parte das pessoas pertencentes às camadas mais altas da sociedade brasileira. “O que vemos hoje é o preconceito do pior tipo: é camuflado, é o que fica embaixo do tapete. Dizem que não existe [preconceito], mas depois um chama o outro de macaco”, sustenta. “Hoje é moda. O hip-hop está fazendo a diferença o tempo todo e está se abrindo, o que é ótimo. Mas é preciso compreender que ele tem uma proposta, não veio só para fazer festinha.”

Veja aqui a programação completa da quarta edição do Encontro de DJs de Hip-Hop.

 

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