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“É um disco sobre ela, mas também sobre mim”

Nina Becker apresenta em disco sua visão sobre Dolores Duran

texto Itamar Dantas

Em Minha Dolores, Nina Becker interpreta canções escolhidas a dedo do repertório de Dolores Duran. Foto: Caroline Bitter

A história de Nina Becker com a obra de Dolores Duran (1930-1959) remonta à sua adolescência, quando estudava os primeiros acordes de violão. O nome de uma compositora em meio a tantos nomes masculinos nos livros de cifras chamou sua atenção e, desde então, Dolores é uma de suas cantoras preferidas. Em seu terceiro álbum solo, Minha Dolores, Nina traz uma visão particular sobre a obra da compositora de clássicos como “A Noite do Meu Bem”.

Dolores Duran faleceu em 1959, aos 29 anos de idade, mas na curta trajetória emplacou sucessos como “Estrada do Sol” e “Solidão”, presentes no disco. Outras conhecidas, como “Filha de Chico Brito” e “Por Causa de Você”, não aparecem no álbum. Nina explica que as escolhas foram de cunho estritamente pessoal: “É um disco sobre ela, mas também sobre mim. É egoísta. São as músicas que fiquei com vontade de cantar. Até  porque todo mundo já gravou a Dolores: Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, Elis Regina. Ela é uma das cantoras mais gravadas do Brasil”.

Nina Becker já estudava lançar um novo disco há algum tempo. Quando fazia os shows do repertório de seu álbum Azul, de 2010, colocou nele três canções de Dolores Duran. A ideia para o programa Cantoras do Brasil, produzido e exibido pelo Canal Brasil em 2012, nasceu em um de seus espetáculos. Ao ser convidada para o projeto, Nina foi taxativa: “A Dolores era minha”. Mais tarde, viria a ideia de fazer um show com repertório de Dolores Duran, que acabou se tornando o estopim para a gravação de Minha Dolores.

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Em uma das apresentações, na Casa de Francisca, em São Paulo, o DJ Zé Pedro, dono do selo Joia Moderna, assistia à apresentação e convidou Nina Becker para gravar um álbum com aquele repertório. “Foi com enorme prazer e susto que descobri naquela noite uma sequência de letras e melodias talvez destinadas ao esquecimento e que Nina Becker iluminava com seu canto doce e preciso, acompanhada apenas por um violão e um bandolim”, conta Zé Pedro na apresentação da obra.

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A base instrumental foi mantida no álbum. Os arranjos foram construídos coletivamente entre Nina e os músicos, com o violão de sete cordas de Lucas Porto e o bandolim de Luís Barcelos. Já a seleção das canções passa por um fio condutor que é a cidade do Rio de Janeiro e temas amorosos, muito presentes na obra de Duran. “A Dolores viveu no Rio em uma época de ouro, com Tom Jobim, João Gilberto, João Donato. Ela participou desse processo, da época da criação da bossa nova. Esse disco também fala muito sobre o Rio, que hoje em dia passa por uma fase muito complicada, com os moradores insatisfeitos”, defende Nina.

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