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Disco Arrocha apresenta lado mais eletrônico de Curumin

Em entrevista ao Álbum, artista comenta o novo trabalho e influências musicais

texto Patrícia Colombo

Curumin. Foto: divulgação

“Um som não para se ouvir só com o ouvido, mas com o corpo inteiro.” É assim que o cantor, compositor e multi-instrumentista Curumin define seu recém-lançado disco Arrocha, que chegou às lojas no início deste mês de maio. Em entrevista ao Álbum, o artista conta o que o inspirou neste trabalho de inéditas e como foi a elaboração do sucessor de JapanPopShow, de 2008.

Luciano Nakata Albuquerque (verdadeiro nome do músico) nasceu em 1976, em São Paulo. Apesar de as influências da selva de pedra paulistana percorrerem suas veias, buscou em Arrocha uma espécie de fuga para o verde. “Quando comecei a trabalhar no álbum, a ideia é que ele tivesse um clima de mato”, diz. “Algo que sinto quando ando por esses locais. Um lance meio misterioso, uma impressão de que tem um monte de coisa escondida por ali. Queria falar da natureza, mas conforme você vai fazendo isso [o material] vai se transformando. Ainda mais eu, que sou nascido e criado em São Paulo. Um ‘urbanoide’  falando da natureza.”

Além do conceito inicial germinando na cabeça de Curumin, outro objetivo em vista era dedicar-se às canções inéditas − e à consequente unificação delas em um trabalho − da maneira mais livre possível. Um dos caminhos para tal foi Arrocha ter sido gravado quase que em sua totalidade na casa do músico. “Isso deixou a gente muito à vontade para experimentar”, explica ele. “Ficou um ambiente mais criativo. Você vai para um estúdio e precisa executar tudo de preferência de maneira rápida e precisa. Aqui não. Se não estava rolando, a gente dava um tempo, jogava uma conversa fora, ficava tocando de bobeira e aí, sim, apareciam ideias boas.”

Se comparado a Achados e Perdidos (2003) e ao já citado JapanPopShow, Arrocha chega aos fãs mais eletrônico que seus antecessores. “Ele foi feito em grande parte dentro das máquinas e me influenciei muito nos ‘beat makers’ como Madlib, ParteUm, J Dilla, Flying Lotus e Nave.” Quanto às conexões que podem ser estabelecidas por causa do título, Curumin já destaca que não se trata de um álbum do tal gênero musical baiano (com forte presença de teclados e saxofone e levada mais romântica). “Porém, acho que se aproxima muito da ideia do jeito de dançá-lo”, diz. “Porque arrochar é chegar muito perto, apertar com força, com pegada. Eu queria que o disco fosse isso aí.” A produção fica a cargo do próprio artista com Zé Nigro e Lucas Martins.

Céu (que marca presença na obra assim como Marcelo Jeneci, Gui Amabis, Edy Trombone e Ricardo Herz) empresta sua voz em uma versão de “Vestido de Prata”, clássico de Paulinho Boca de Cantor. Curumin conta que a música entrou já no final do processo, uma vez que a turma sentia falta de alguma canção mais “leve e alto astral”.  “Nessa época, eu estava ouvindo muitos discos”, relembra. “Eu me deparei com uma coletânea de samba rock e a primeira faixa era essa. Aquela mistura de ritmos − meio samba, meio rock, meio reggae −  perfeita sintonia com o que a gente estava pensando. Além disso, tem essa letra simples e bonita, de gratidão à mulher.”

Ouça abaixo Arrocha:

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