//seções//notas

De volta, o samba quente de Noriel Vilela

Disco de um dos vocalistas do grupo Os Cantores de Ébano, “Eis o Ôme”, é reeditado em vinil

texto Itamar Dantas

Disco de 1968, Eis o Ôme, único registro solo de Noriel Vilela, recebe reedição independente em vinil. Foto: divulgação

Nos anos 1950, Noriel Vilela era conhecido por integrar o grupo vocal Os Cantores de Ébano. O vocalista de voz grave fez sucesso no fim da década seguinte com a música “Só o Ôme”, lançada em seu único álbum, Eis o Ôme, de 1968.

Quarenta e cinco anos depois de seu nascimento, esse disco é reeditado pela primeira vez em vinil. A iniciativa veio do DJ e pesquisador Bruno Niggas, do selo Brasilis Grooves Records, em parceria com Caio Yoka, do selo Somatória do Barulho. “Tudo começou por causa do Vinil é Arte [coletivo de DJs com seis integrantes de MG, RJ e SP], com meu trabalho de DJ. Conheci esse disco do Noriel Vilela conversando com esses caras de lojas especializadas. Eles mesmos comentavam que a gente deveria fazer a reedição do disco. Além de ser difícil de achar para vender, é difícil achar em boas condições”, conta Bruno, que já havia lançado por seu selo em 2011 outra raridade da música brasileira: Di Melo (1975), do cantor e compositor homônimo.

“16 Toneladas” é uma versão abrasileirada da canção “Sixteen Tons”, de Ernie Ford e Merle Travis. A música voltou a fazer sucesso no Brasil no final dos anos 1990, quando o grupo Funk Como Le Gusta a regravou (Roda de Funk, 1999), levando-a novamente para as pistas de samba rock. Com Noriel Vilela, a música foi lançada apenas em compacto e é incluída agora na nova versão do álbum como faixa bônus.

Depois de se separar do grupo Cantores de Ébano, Noriel Vilela se afastou, sumiu por dez anos. Em texto reproduzido na contracapa do disco [Histórias que a vida escreve, do jornal Gazeta de Notícias, sem data], Malu Rodrigues conta que o músico fez escolhas erradas, sem entrar em detalhes: “Coral dissolvido, violão debaixo do braço, pouco juízo na cabeça, muitos caminhos e, tanto foi e voltou, tanto andou, que sumiu. E quase dez anos se passaram”.

Depois do sumiço, o músico procurou por Ismael Corrêa, diretor artístico da Copacabana Discos. Corrêa deu carta branca ao intérprete para que ele gravasse o que quisesse. Foi o que Noriel fez: gravou o disco com todas as músicas voltadas à temática da umbanda. A canção “Só o Ôme” foi a que mais fez sucesso, e conta a história de um homem que, mal filho e mal marido, tinha que ir encontrar o “Ôme” que, na umbanda, significa o dono da encruzilhada. A canção foi regravada por Zeca Pagodinho em seu CD e DVD Multishow ao Vivo, lançado em 2013 em comemoração aos seus 30 anos de carreira.

De acordo com as poucas informações disponíveis sobre o músico, Noriel Vilela teria falecido de choque anafilático devido a uma anestesia aplicada por seu dentista, em 1974.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Deixe um comentário

*Campos obrigatórios. Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Enviar comentário
  1. “A gente quer fazer boa música para dançar”

    Clube do Balanço comemora 15 anos de carreira e lança quarto álbum

  2. Samba de mesa posta

    Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as histórias que unem cozinha e o ritmo musical de origem africana

  3. “O Itamar abriu meu horizonte!”

    Jornalista de Hamburgo (ALE), Rainer Skibb mantém desde 1988 programa de rádio dedicado à música brasileira

  4. Veneno nos pés

    Sapato em apresentação da Nhocuné Soul relembra tradição dos calçados na cultura negra

  5. Canapés de codorna e caviar à Moacyr Luz

    Parceiro de Aldir Blanc, músico dá sua receita de tira-gosto

      1. Wando: samba, violão e muito mais

        O lado intérprete, violonístico e do balanço daquele que, nos anos 1980, se tornou um ícone da música 'romântica sem-vergonha'

      2. Versões, sample e inspirações do Ben

        A música de Jorge Ben cantada por Dominguinhos, Skank, Les Etoiles, Racionais MCs e Emilio Santiago

      3. Ed Lincoln, o rei dos bailes

        Playlist compila faixas de todos os álbuns do maestro do balanço

      4. Marco Mattoli: “Não é rock, não é pagode. É samba rock!”

        Cantor e compositor refaz a trajetória do Clube do Balanço, grupo pioneiro da retomada do samba rock em São Paulo

      5. Mês do Cachorro Louco

        Playlist reúne homenagens da música brasileira ao melhor amigo do homem