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Dança e música na formação de mães e bebês

Os benefícios da dança e da música na primeira infância

fotos Gustavo Ferri

Dança Materna para Mães e Bebês de Colo e Engatinhantes. Foto: Gustavo Ferri

Vibração, ritmo, música e dança proporcionam sensações diversas na vida humana, de transformação e relaxamento, de consolo e abstração, de conforto e familiaridade.

Para um bebê não é diferente. Sua concepção e o princípio de suas divisões celulares já são bem definidas pelo ritmo. Enquanto está no útero, ele ouve os sons internos da mãe – as batidas do coração, os ruídos da digestão –, e as vibrações de fora estimulam novas percepções e contribuem para seu desenvolvimento.

O bebê é influenciado diretamente pelo que a mãe sente; existe uma longa fusão emocional, que pode ser muito benéfica aos dois se bem direcionada.

Segundo Tatiana Tardioli, bailarina e idealizadora do Dança Materna, a música e a dança são formas de moldar esse vínculo, pois, ao mesmo tempo que a mãe que canta e dança libera hormônios benéficos para sua gestação, o bebê, com sua percepção sinestésica, vivencia novas experiências afetivas e estéticas.

“Música e dança fazem parte do caldo cultural que envolve toda pessoa que nasce. São portas de entrada para a vida e inserem o bebê na sua cultura. Minha experiência foi de vínculo com minha filha, desde a barriga enquanto a gente dançava. Eu dançando grávida, dando aula, comecei a reparar quanto era especial a maneira como eu a sentia na barriga. Como se ali houvesse um diálogo, uma comunicação, ainda que num estágio sutil, algo que nos ligava e a gente conseguisse se comunicar”, lembra Tatiana.

Como Tatiana, existem várias mulheres que após a experiência materna passaram a se dedicar à experiência da música e da dança como forma de projetar vibrações amorosas e gerar intimidade e segurança na relação entre mães e bebês.

Exemplo disso é o Música Materna, criado pela musicoterapeuta e arte-educadora Mara Paixão, com atividades elaboradas pelo conceito da música como ferramenta para o desenvolvimento global da criança, e o Projeto Acalanto, fundado por Isadora Canto, que visa estabelecer um vínculo dos bebês com o mundo por meio da música canalizada pelas mães.

Tais projetos estarão presentes no Itaú Cultural no mês de maio, em programação especial sobre música e dança na primeira infância, que, de acordo com Mara Paixão, é essencial para o desenvolvimento cognitivo, físico e afetivo dos seres humanos.

“Todos nós somos muito sonoros por natureza: o coração batendo, o som da nossa fala, a circulação sanguínea; então os bebês são extremamente musicais. A gente vai perdendo nossa musicalidade por repressão e falta de estímulo, mas conseguimos estimular o bebê na barriga e é comprovado cientificamente que os que entram em contato com a música na primeira infância, que vai do 0 aos 5 anos, têm o desenvolvimento de neurônios maior do que outros bebês. A comunicação é muito melhor. Eles têm mais equilíbrio, pois a música trabalha o ritmo do corpo, do movimento”, explica Mara Paixão.

Para Isadora Canto, que teve acesso à música por meio do pai pianista de uma forma intensa e refinada desde muito cedo, as mães que estão no processo de gestação são canais vivos para o bebê receber a música e o bem-estar gerado por ela.

“Desde pequena vim trabalhando a música em mim, e depois da maternidade juntei minhas duas paixões – a música e a maternidade – e montei o Projeto Acalanto, que é um curso para fortalecer o vínculo através da música, ou seja, a mãe é uma ferramenta para o bebê receber a música. Por exemplo, quando a mãe canta, ela libera hormônios como oxitocina e serotonina, que são encaminhados para o bebê pela placenta”, conta Isadora.

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