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Correção de rota

Membro da Orq. Contemporânea de Olinda, Juliano Holanda lança primeiro CD

texto Itamar Dantas

Juliano Holanda estreia em disco individual, A Arte de Ser Invisível. Foto: Beto Figueiroa

Juliano Holanda tem apenas 35 anos de idade, mas atua há mais de 20 como compositor, instrumentista, arranjador e produtor musical em Pernambuco. Membro da Orquestra Contemporânea de Olinda, o músico já teve mais de 100 composições gravadas por outros artistas, participou de mais de 50 álbuns e sai agora do anonimato para lançar seu disco de estreia como intérprete, A Arte de Ser Invisível.

Aos 13 anos de idade, o músico iniciava a carreira profissional ganhando espaço como instrumentista, mas manteve o ofício de compositor e passou a ter suas canções requisitadas por outros intérpretes de seu estado. “O disco é uma correção de rota”, afirma. Em 2011, Holanda foi convidado a participar de uma coletânea para o estúdio Muzak (Música de Estúdio, 2011), de Pernambuco, e começou a tocar suas composições. O pessoal do estúdio conhecia algumas de suas músicas na voz de outras pessoas e sugeriu que ele gravasse. Ele conversou com a esposa, Mery Lemos, que tomou a produção do álbum.

Holanda canta apenas na primeira faixa, “Karma Sutra”, e toca instrumentos variados: guitarra, viola de 10 cordas, escaleta, Rodhes, tres cubano. Suas canções são interpretadas por Marcelo Pretto, Ceumar, Tatiana Parra, Jr. Black, Carlos Ferrera, Siba, Laya Lopes e Geraldo Maia. “Primeiro, eu fiz uma seleção de quem eu queria que participasse. Enviei três músicas para cada um e os intérpretes escolheram uma com a qual se identificassem”, conta.

Depois de lançar o disco, o compositor teve uma grata surpresa. Uma de suas criações, “Ímãs de Geladeira”, entrou na trilha sonora da série de TV Louco por Elas, da Rede Globo. O convite rolou quando o compositor conheceu o conterrâneo João Falcão, roteirista da série, em um show do amigo Geraldo Maia. Ao se deparar com o trabalho de Holanda, pediu para incluir a música no folhetim. “É uma coisa que ainda está acontecendo e pegou a gente meio assim… Até assusta um pouco. Essa música eu fiz para a minha esposa e agora está na televisão. Eu não esperava tanta reverberação”, confessa Holanda.

Na parte instrumental, o disco tem a participação de Ivan do Espírito Santo (saxofone), Tom Rocha (bateria e percussão), Benjamim Taubkin (piano), Roque Netto (flugelhorn e trompete), João Carlos (cello), Rob Curto (sanfonas), Jam da Silva e dos parceiros Areia (baixo acústico e integrante da Mundo Livre S/A) e Gilu (percussão), seu companheiro na Orquestra Contemporânea de Olinda. As gravações foram realizadas no estúdio Muzak e incluem ainda um mosaico de contribuições registradas no Rio de Janeiro, em São Paulo, Amsterdã e Nova York.

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