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Cervejas artesanais inspiram novo disco do Blues Etílicos

Grupo também regrava Alceu Valença e Toquinho & Vinicius

texto Itamar Dantas

CD Puro Malte é o nono trabalho do Blues Etílicos. Foto: Renata Duarte

A banda Blues Etílicos está na lida desde 1985 e neste 2013 lança seu nono álbum de estúdio, Puro Malte. O nome do disco vem do interesse dos músicos pelas cervejas artesanais, que renderam em 2012 o lançamento da própria cerveja: Blues Etílicos –HellBier. O trabalho conta com a participação do saxofonista Leo Gandelman e do pianista Donny Nichilo, que tocou durante anos na banda do guitarrista Buddy Guy.

Além do tema que batiza o trabalho, há nove canções de autoria do grupo e ainda duas versões: para “Espelho Cristalino”, de Alceu Valença, e para “Cotidiano No. 2″, de Toquinho e Vinicius de Moraes. Segundo o gaitista Flávio Guimarães, as versões foram sugestões do baixista Cláudio Bedran e do cantor Greg Wilson. “Foi um desafio fazê-las soar como se houvessem sido compostas em ritmo de blues. Eu entrei em contato com Alceu Valença, que conheci na gravação do DVD dele, do qual participei. Ele é meu vizinho de bairro e um camarada maravilhoso para papear em algum café no Leblon. Ele aprovou nosso arranjo, assim como Toquinho, e isso nos deixou muito felizes”, conta Flávio.

Já a relação com o músico Donny Nichilo vem de longa data. Flávio conheceu o pianista em 1989 durante o Festival de Jazz e Blues, em que Buddy Guy também se apresentou. O saxofonista Leo Gandelman é amigo da banda e frequentemente participa de suas apresentações.

Em entrevista ao Álbum, Flávio Guimarães fala um pouco da devoção às cervejas artesanais e do processo de criação de Puro Malte.

ÁLBUM – Como se deu a ideia da criação da própria cerveja artesanal? Quem foi o primeiro da banda a aderir a esse tipo de cerveja?
FLÁVIO GUIMARÃES – Nosso baixista, Cláudio Bedran, trouxe a ideia até nós. Ele já frequentava bares especializados e degustações. Desenvolveu o projeto com a preciosa ajuda de Giovanni Calmon, da Distribuidora Balkon, que nos apresentou à Mistura Clássica, fabricante de nossa cerveja. Compus “Puro Malte” em parceria com Greg Wilson para falarmos desse universo da cerveja artesanal.

Há versões das músicas de Alceu Valença e Toquinho com Vinicius de Moraes. Como vocês chegaram a essas composições?
Muita gente acredita que músicos de blues só escutam blues e que músicos de rock só escutam rock, e assim por diante. Na realidade, alguns integrantes do Blues Etílicos escutam outros gêneros musicais bem mais do que o blues. Cláudio Bedran nos apresentou à música “Espelho Cristalino” e Greg Wilson, que também foi o arranjador da maioria das músicas no CD, trouxe “Cotidiano No. 2″.

Quanto à participação de Donny Nichilo, desde quando vocês se conhecem? 
Conheci o Donny em 1989 no primeiro festival internacional de blues em Ribeirão Preto. Ele tocava na banda de Buddy Guy. Depois fui convidado pelo próprio Buddy para participar de dois shows dele no Rio, no antigo Teatro do Hotel Nacional. Donny está morando em São Paulo atualmente e tocamos juntos de vez em quando. Ele trouxe a atmosfera certa e enriqueceu muito as faixas de que participou.

Qual é a relação entre blues e cerveja?
A cerveja, bem como os destilados, sempre fez parte da história do blues desde seus primórdios. Era música de cabaré, de entretenimento, de festa. Quando o rock surgiu, seguiu-se a tradição. Nos dias de hoje, percebemos que o nosso público busca qualidade tanto na cerveja que consome quanto na música que escuta.

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