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As vozes de Péricles

Arrigo, Luisa Maita, Lurdez da Luz, Jeneci e outros cantam em novo álbum de Péricles Cavalcanti

texto Itamar Dantas

Péricles Cavalcanti e a capa de seu novo álbum, Frevox. Fotos: divulgação

No reggae “Entre Muitos Outros”, Péricles Cavalcanti faz uma brincadeira com seu nome e o do produtor jamaicano Lee Scratch Perry, definindo-se como um entre muitos outros Péricles por aí. Para além das ironias entre ser ninguém e ser deus em um mesmo trabalho, Péricles também amplia seu universo criativo ao abordar personagens do mundo pop à mitologia grega. A faixa de despedida de seu novo álbum, Frevox, reforça essa multiplicidade em versos como “Eu sou Dionísio, deus do vinho e do prazer…”.

A produção do disco teve início em 2010, mas o resultado somente foi apresentado no final de 2013. Com 18 canções, o álbum conta com 16 inéditas, várias delas compostas já com o objetivo de chamar algum parceiro para interpretá-la com o compositor.

Quatro canções mostram apenas a voz de Cavalcanti, em um disco que ele chama de “pregão pop”. Em Frevox, ele canta com Arrigo Barnabé, Luisa Maita, Lucinha Turnbull, Lurdez da Luz, Marcelo Jeneci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes, além do filho, também músico, Leo Cavalcanti. Tulipa Ruiz, antes mesmo de lançar o primeiro álbum, em 2010, já gravava “De Alma e de Som” ao lado do músico.

Das duas músicas não inéditas que compõem o álbum está “O Céu e o Som”, canção registrada por Gal Costa no seu álbum Cantar, de 1974. “Eu fiz essa música pensando em uma coisa cubana. O João Donato seria o arranjador [dessa gravação da Gal]. E o João Donato é mestre na música latina, já tocou com Mongo Santamaria… Acabou que não foi ele quem fez o arranjo; fiquei muito triste. Sempre pensei em cantá-la assim”, confessa.

A segunda não inédita é “Marcha da Baleia”, que integrou o espetáculo teatral A Farra da Terra (1982), do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. Na nova versão, Lurdez da Luz acrescenta o seu “Rap da Baleia”, composta para integrar a obra. Já “Sex Maxixe” é a homenagem de Péricles a James Brown e teve a participação de Arrigo Barnabé. “Juro (Largo Tudo por Você)” é cantada com o grupo Cachorro Grande; “Bem-Vindos” foi composta para a cantora Tiê.  “É como se o disco fosse um organismo que fosse pedindo participações”, finaliza o músico.

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