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Na esteira do tropicalismo

Músico lança primeiro disco dando continuidade à estética criada pelos tropicalistas

texto Itamar Dantas

Flavio Tris estreia em disco solo, com participação de Tulipa Ruiz e Filipe Catto. Foto: José de Holanda

Flavio Tris é formado em direito e, desde muito novo, se dedica à música. Em 2010, lançou o seu primeiro compacto e circulou pelas principais casas de shows do circuito alternativo de São Paulo, entre elas Casa de Francisca, Casa das Caldeiras, Centro Cultural Rio Verde e Sesc. Agora, em 2013, apresenta seu primeiro disco, homônimo.

As referências sonoras estão nos compositores brasileiros e no rock and roll dos anos 1960 e 1970. Em sua vitrola giram Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso. “O tropicalismo mudou a forma de composição, acrescentou elementos nas letras e nas melodias que não foram completamente desfrutados. Eles abriram um novo caminho para a composição. Nos anos 1980, a grande maioria se deslumbrou, chegou o punk, o rock mais sujo; é como se tivesse um processo interrompido. A sensação que tenho é que tem um monte de gente querendo quebrar a forma musical novamente. Acho ótimo, porque eles acabam ocupando um espaço que não quero ocupar. Sinto mais vontade de escutar na música brasileira uma sequência daquilo que foi feito, e que, em certo momento, se interrompeu”, analisa.

As letras no disco não têm uma linha ou histórias conectadas, passeiam entre as experiências do cantor e demonstram suas convicções. Em “Selva”, por exemplo, Tris se dirige às mulheres em um pedido para que não deixem que o pudor se sobreponha ao desejo.  Já “Pra Ver a Voz” é uma aventura pessoal.

O disco foi produzido por Alê Siqueira e gravado no Groove Studio, em Salvador. Conta com participação de amigos: Luís Gabriel Lopes e Juliana Perdigão, do grupo Graveola e o Lixo Polifíônico, Tulipa Ruiz, Leo Cavalcanti, Filipe Catto e Celso Sim. Acompanham o cantor os músicos Maurício Maas (bateria e acordeom) e Tchelo Nunes (baixo e violino).

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