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A “viagem intergaláctica” de Leo Cavalcanti

Em segundo álbum, músico busca sonoridade pop e dançante com letras inspiradas na liberdade.

texto Itamar Dantas

Leo Cavalcanti apresenta disco com sonoridade pop e a liberdade como tema central. Foto: Pedro Dias

Para Despertador, segundo álbum de Leo Cavalcanti, o músico foi buscar uma sonoridade mais pop e dançante daquela apresentada em seu disco de estreia, Religar (2010). Com participação de Guilherme Held (guitarras), Marcos Leite Till (baixo e sintetizadores), Samuel Fraga (bateria) e Fabio Pinczowski (sintetizadores, programações e violões), Despertador foi praticamente todo (sete das dez músicas) gravado ao vivo em apenas três dias durante a estada da banda em um sítio.

Depois, um time de amigos foi convidado para participar da sobreposição dos últimos detalhes, como o coro formado por Tulipa Ruiz, Ava Rocha, Dani Black, Gustavo Galo, Tim Bernardes, Tatá Aeroplano, Juliana Perdigão, Luz Marina, Pélico, Serena Assumpção e Negro Leo.

Em entrevista ao Álbum, Leo Cavalcanti fala do novo trabalho e das ideias que guiaram o processo de composição e de gravação.

ÁLBUM – Quando começou a produção do álbum?
LEO CAVALCANTI – No ano passado, em 2013, quando voltei de uma residência artística na Alemanha de três meses, decidi gravar o álbum. Tinha bastante repertório novo. Na Alemanha, nos shows que fiz por lá, acabei selecionando boa parte do repertório que entraria posteriormente em Despertador. Encontrei o Fabio Pinczowski e decidimos produzir o disco juntos. Foi um processo superfluido e rápido: menos de dois meses no total, mas 70% do disco foi gravado ao vivo em três dias apenas (ao contrário do anterior, Religar, que durou nove meses).

Por que “Despertador”?
Depois de gravar o disco, não sabia o nome dele ainda. Então no réveillon, no Rio de Janeiro, fiz um pedido ao mar, para descobrir o nome do disco (sentia de alguma maneira que eu precisava descobri-lo em vez de tentar pôr um nome nele). Queria um processo que fosse de dentro para fora, e não de fora para dentro). No dia 1o de janeiro, tive o insight: o nome do disco deveria ser “Despertador”. Mas longe de ser apenas o despertador físico. Neste caso, é o despertador total. O despertador do coração, do amor, do melhor em si. Esse é um tema que percorre o disco todo, de muitas formas. A palavra aparece na música título e em “Só Digo Sim”. As músicas falam, em geral, sobre um despertar de muitas maneiras. Gosto do elemento provocante que a palavra tem – traz uma intenção de rompante, de passagem, de transformação, de deslocamento. É um nome desafiador.

Como chegou a essa estética sonora e visual?
Tive muita vontade de me aproximar dos sintetizadores para construir um som com teor altamente pop, dançante e com pressão. Mas que também tivesse uma direção psicodélica, de profundidade e mergulho interno. Um som ao mesmo tempo dançante e contemplativo. Queria também um som enxuto, que desse unidade ao disco. Diferentemente do que ocorreu no Religar, que é prolixo, cheio de recortes e muitos instrumentos, quis seguir um caminho simples. Durante a gravação, ao ouvir o resultado sonoro, ocorriam em mim imagens de estruturas cristalinas – e de cosmos. Acabei por querer usar esses elementos na arte do disco. Comecei a entrar em contato com o estudo da geometria sagrada (que define as formas primordiais de todas as coisas do universo). Com o Lucca Del Carlo, que já tinha um trabalho com base nesse estudo, e com a designer Karen Kawagoe fomos chegando às imagens que resultaram no encarte do disco. Vejo que o projeto gráfico soube realizar muito bem essa espécie de “viagem intergaláctica” que desejávamos e que visualizei durante as gravações.

No segundo álbum você já começa a definir uma assinatura para o seu trabalho?
Sempre procuro tecer uma linguagem própria em tudo o que faço. Como, além de cantor e compositor, sou arranjador e produtor musical, minhas criações acabam englobando todos esses aspectos: penso a música desde sua composição até o formato final. Costumo participar de todas as etapas de criação e produção, do início até o fim. Minha intenção, na arte, é buscar me desafiar para poder criar, com a condição de que seja autêntico para mim, sempre.
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