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A música na essência

Naná Vasconcelos lança novo álbum inspirado nos quatro elementos da natureza

texto Itamar Dantas

Naná Vasconcelos e a capa de seu novo álbum, Quatro Elementos, lançado em 2013. Fotos: divulgação

A musicalidade de Naná Vasconcelos não tem limites. Cada novo ambiente que visita, cada objeto que toca, pode se tornar um desafio à sua expressão. Sua música pode ser composta dos mais diversos ruídos, mas sempre há uma característica: o contar de uma história por meio dos sons.

Em sua trajetória, já experimentou todo tipo de coisa que faz barulho: diferentes instrumentos tradicionais do mundo afora, panelas, bacias, as mais diversas madeiras, fora o berimbau, seu companheiro fiel.

Em 2013, o percussionista lança o álbum Quatro Elementos, quando volta sua atenção para os elementos da natureza: água, fogo, terra e ar.

Naná já havia explorado a sonoridade da água em seu disco anterior, Sinfonia & Batuques, de 2010, principalmente na faixa “Suíte das Águas”, construída com sons aquáticos. E foi depois dessa experiência que veio a ideia de investigar outros elementos da natureza.

Para reproduzir o som do fogo, Naná foi ao supermercado e tirou seu instrumento: um pacote de batatinhas. Ele é o que ambienta o “Fogo”. Já para a terra, pensou nos terráqueos e buscou sonoridades orgânicas, como batidas do coração, vozes e palmas. E, representando o ar, uma imagem mais etérea: astronautas africanos dançando nos Anéis de Saturno. E foi indo atrás da representação dessa cena que criou “Astronáfrica”.

“Légua Tirana”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, abre o disco fugindo do tema principal para falar da própria trajetória do músico. A longa estrada retratada na canção é a síntese do longo caminho já trilhado pelo percussionista-compositor. “Eu nunca parei porque estou sempre querendo mais. E porque a estrada é comprida. Não é fácil para mim. Não é fácil vender. Mas mesmo assim eu nunca perdi minha identidade”, reflete o músico.

Outras homenagens são prestadas no álbum: ao percussionista Airto Moreira, seu amigo de profissão, Naná dedica a faixa “Berimbando”. E em “Clementina” o músico reverencia a cantora Clementina de Jesus, com quem trabalhou durante a década de 1970. A música africana, sempre presente em sua discografia, também aparece na faixa “Nizinga”. “O Brasil tem uma diversidade enorme. Por aqui, elementos que eram de diferentes regiões da África se misturaram. O berimbau e a capoeira, por exemplo, só existem juntos aqui. Temos uma diversidade cultural única”, afirma.

Para o próximo trabalho, Naná já pensa em uma experiência completamente diferente: quer gravar um disco com orquestra, unindo suas experiências à tradição erudita. “O que quero mesmo é fazer o extremo som. Gostaria de fazer um disco sinfônico. Mas o mundo erudito é muito fechado. Quero fazer um disco ‘Eu e orquestra’. Uma coisa que misture essas duas coisas: a rua e o teatro”, finaliza.

  1. Grande Naná… um mundo percussivo e expressado com as côres de um artista sem igual…frescura e encontros rompendo com um presente músical parado em la rotina da música mecanizada…um Abraço e Parabéns!!!

    | demetrio prota

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