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“A gente quer fazer boa música para dançar”

Clube do Balanço comemora 15 anos de carreira e lança quarto álbum

texto Itamar Dantas

Clube do Balanço completa 15 anos de carreira e lança quarto álbum, Menina da Janela. Foto: Kika Silva

A banda Clube do Balanço completa 15 anos de carreira e apresenta em 2014 o seu quarto álbum, Menina da Janela. Com repertório testado com ensaios abertos em uma gestação de nove meses no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, o filho já nasce reconhecido pelo seu público mais fiel.

Com oito integrantes, nunca foi muito fácil reunir todos os músicos. E os ensaios abertos acabaram se tornando um terreno ideal para que se firmasse esse compromisso. Amigos e fãs iam ao espaço para dançar e tomar umas e outras enquanto o grupo mostrava o novo repertório. Se preciso, a banda parava a música para ajustar algum detalhe. Mas logo voltava com o groove, e o público, à dança. “Juntar esse time nunca foi muito fácil. Macaco velho não gosta muito de ensaiar. A gente queria combinar uma coisa que animasse a gente a ensaiar. E acabou sendo muito legal”, conta Marco Mattoli, cantor e compositor do Clube do Balanço.

A maioria das músicas de Menina da Janela é de autoria de membros do grupo, como Marco Mattoli, Tiquinho, Teresa Gama, Gringo Pirrongelli e Edu Salmaso. Também compuseram para o disco Nei Lopes, Magnu Sousá (do grupo Quinteto em Branco e Preto), Luís Vagner, Renato Dias e Roberta Gomes. A parceria entre Nei Lopes e Magnu Sousá, autores de “Time Contra”, assinada com Mattoli, surgiu de um convite do vocalista: “Eu sempre fui fã do Nei Lopes. Um dia fui a um lançamento dele, me apresentei e ele me disse que gostava muito de samba rock. Acabei propondo pra ele uma parceria e ele topou. Foi muito gratificante”, conta Mattoli, que também desfia elogios a Magnu Sousá, com quem divide com o Quinteto em Branco e Preto o protagonismo do samba em São Paulo: “A gente tem uma relação próxima de admiração. O Gringo, baixista, tocou com eles há muito tempo. São dois grupos que ajudam a manter uma tradição forte do samba negro mais tradicional em São Paulo”, defende o vocalista.

O álbum conta com a produção de Jesus Sanchez, que já trabalhou com nomes como Pélico e Bárbara Eugênia. Segundo Mattoli, foi proposta dele que a gravação do disco fosse feita sem muitas interferências: “Um produtor vindo de outro universo musical dá uma leitura interessante para o nosso som. Ele insistiu muito em manter o som mais ao vivo possível, e foi muito feliz”.

Em 15 anos de trajetória, o Clube do Balanço ganhou notoriedade ao fazer novas versões para clássicos do samba rock. Nos dois primeiros álbuns, revisitou nomes como Marku Ribas, Ed Lincoln e Hélio Matheus. E nos últimos dois discos valoriza o repertório quase inteiramente autoral. Mattoli garante que, com a experiência acumulada, o grupo busca mostrar novas possibilidades para a música de baile: “A gente não quer quebrar paradigmas da música brasileira. A gente quer fazer uma boa música para dançar nos bailes. É buscar uma evolução dentro dessa proposta. A gente é chato pra gravar as coisas do Clube. Nesse tempo todo o que mudou é que a gente está tocando melhor, 15 anos batendo bola, a gente se conhece bem. Tivemos uma evolução natural”.

Menina da Janela tem o lançamento oficial marcado para o dia 31 de maio, no Clube Homs, em São Paulo.

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