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30 anos em quatro letras: NáZé

Zé Miguel Wisnik e Ná Ozzetti lançam álbum que celebra parceria de três décadas

texto Itamar Dantas

Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik celebram 30 anos de parceria na música com álbum Ná e Zé. Foto: divulgação

A primeira vez que Ná Ozzetti entoou publicamente a obra de Zé Miguel Wisnik foi há exatos 30 anos, na cerimônia de casamento de Zé. Compositor e intérprete já se conheciam dos tempos em que Ná cantava no Grupo Rumo no início dos anos 1980. Dali em diante, a parceria entre os dois estava selada. Agora, a dupla lança o disco Ná e Zé, disponível para download em seu site oficial.

As composições percorrem 37 anos de trabalho de Wisnik. O repertório traz composições que vão de 1978 até obras mais recentes, de 2014. “Várias das canções ficaram guardadas muito tempo, sem pressa de se mostrar. Segundo Luiz Tatit, esperavam o momento propício de ser cantadas pela Ná”, conta o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).

Esse é o caso de canções como “Alegre Cigarra”, composta por Wisnik em 1979, e “A Noite”, de 1981, que ainda não haviam sido registradas em disco. Outras composições já tinham a marca registrada da dupla, como “A Olhos Nus” e “Orfeu”, que integraram o primeiro álbum solo de Ná Ozzetti, homônimo, de 1988.

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Para Zé Miguel Wisnik, a voz de Ná Ozzetti traz características que se casam com as nuances de sua canção. “Acho a voz da Ná translúcida: ela sustenta com extrema nitidez as melodias mais difíceis, ao mesmo tempo que as palavras ficam muito claras e na medida certa da expressividade. Nas minhas canções há muitas pequenas intenções, nos caminhos melódicos, nas palavras, nas frases, nas inflexões. É muito fácil desfigurá-las na hora de interpretar. A Ná tem uma atenção fina para tudo isso e uma precisão natural, sem esforço nem demonstração. Eu me beneficio desse cristal da voz que não é sólido, mas um cristal de água que flui.”

Também para Ná Ozzetti a junção dos dois universos é um feliz encontro. “Desde o primeiro contato senti que as canções do Zé fluíam com uma naturalidade impressionante na minha voz. Independentemente de quanto eu as apreciava, minha voz as recebia como um presente, com um prazer em percorrer aquelas melodias, em articular aquelas palavras e o sentido delas em mim.”

Para produzir o álbum foi chamado Marcio Arantes, que acrescentou diversos elementos à estética do disco, como ruídos e timbres complementares e sugestão de convidados. Para Ná Ozzetti uma combinação perfeita com o trabalho coletivo realizado pelos músicos. “Primeiramente, a banda que gravou o disco, Guilherme Kastrup, Sérgio Reze, Swami Jr. e Marcio Arantes, já vinha trabalhando com o Zé há alguns anos. O trabalho tem muito da criação coletiva desses músicos com o Zé e é matriz do que foi desenvolvido pelo Marcio no disco. O resultado foi maravilhoso”. Para Zé Miguel o trabalho de Marcio contribuiu para deixar o álbum “mais pop, se a gente não se deixar enganar pelo que há de padronizado e trivial nessa palavra”.

>> OUÇA A PLAYLIST “SONS DO CORPO”

Também participam do disco Arnaldo Antunes, Letieres Leite, Gui Amabis, Guilherme Held, Tiago Costa – com gravação e mixagem de Gustavo Lenza. “A imaginação musical do Marcio fez também com que trouxéssemos Arnaldo Antunes para ‘Noturno do Mangue’, o erhu [instrumento chinês de cordas e arco] para ‘Som e Fúria’, os samples de Gui Amabis para ‘Sinais de Haicais’, a guitarra de Gui Held para ‘Alegre Cigarra’ e os arranjadores Letieres Leite e Tiago Costa para o ‘Noturno’ e para ‘Sim, Sei Bem’, além de Gustavo Lenza para gravar e mixar, isto é, integrar de maneira muito especial todas as pontas do processo”, finaliza Zé.

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